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Vida Extra

Aventuras e desventuras no universo dos videojogos.

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Stadia: como não lançar um serviço de jogos

A Google revelou finalmente os detalhes mais importantes sobre o seu serviço de streaming de jogos: quanto custa e quando fica disponível. E para quem estava à espera de uma revolução na indústria dos videojogos foi um balde de água fria.

 

Imagem promocional do Google Stadia

 

Quando, há umas semanas, foi feita a primeira apresentação do Google Stadia (site não disponível a partir de Portugal), as coisas não começaram bem. Já se sabia que se tratava de um serviço de videojogos, por isso foi no mínimo estranho que a primeira coisa dita pelo primeiro apresentador (nada mais que Sundar Pichai, o CEO da Google) tenha sido "Eu não gosto de videojogos."

 

Não é um insulto - cada um tem os seus gostos - e até lhe admiro a honestidade, mas se é para anunciar um serviço de jogos, se calhar escolhia outra pessoa para abrir a apresentação, ou no mínimo deixava esse detalhe de lado, que também não era relevante.

 

Nessa primeira apresentação falou-se quase só de tecnologia. Muitos artigos de opinião foram publicados sobre como a Google iria revolucionar a indústria dos videojogos, mas eu abstive-me de opinar porque faltava o mais importante: quem vai poder jogar, quando e por quanto dinheiro? E já agora quais os jogos...

 

Por esse motivo a apresentação de ontem era a mais importante. Finalmente íamos ao que interessa.

 

As coisas não começaram bem.

 

O Google Stadia é um serviço de streaming de jogos. Ou seja, em vez de o descarregarmos para um PC, consola ou telemóvel, o jogo corre diretamente nos servidores da Google e o jogador apenas vê uma emissão em direto, controlando o jogo à distância. A grande vantagem é que não é preciso hardware potente para correr jogos com o máximo de qualidade gráfica. Isto, claro, se a ligação à Internet for suficientemente rápida e estável.

 

Ironia das ironias, a emissão em direto da apresentação estava altamente instável. Durante alguns minutos tentei assistir, mas à quarta vez que a emissão foi abaixo desisti. A julgar pelos comentários em alguns sites, não fui o único a ter essa experiência.

 

Mas podemos ignorar esse percalço. A robustez da infra-estrutura de rede da Google não me levanta dúvidas. O conteúdo da apresentação é que desaponta.

 

Com toda a tecnologia que tinha sido apresentada, havia potencial para revolucionar a forma como compramos e consumimos videojogos. Desde não ser necessária uma consola ou PC dedicado, até à possibilidade de clicar num vídeo do Youtube e começar imediatamente a jogar.

 

Em vez disso, no Stadia vamos continuar a comprar jogos à peça e, pelo que as declarações dos responsáveis deixam adivinhar, ao mesmo preço que nas lojas digitais e físicas.

 

E quanto a não ter de comprar uma consola ou um PC dedicado? Isso vai ser verdade eventualmente, lá para 2020. Quem quiser jogar no Stadia quando for lançado em novembro deste ano (não estará disponível em Portugal) vai ter de comprar um Chromecast Ultra e comando Stadia por 129,99$.

 

E quanto a jogar com o máximo de qualidade gráfica? Para isso tem de se pagar uma mensalidade de 9,99$. Haverá um acesso gratuito ao serviço em 2020, mas com uma resolução HD e som estéreo. Jogar em resolução 4K, cor HDR e som 5.1 - que as atuais Xbox e PS4 já suportam - só para quem paga.

 

Aliás, façamos umas contas simples.

 

A PlayStation 4 foi lançada a um preço de 399$ no final de 2013, pelo que até agora já teve 66 meses de vida. Jogar no Stadia com a qualidade máxima por esse mesmo período de tempo custaria 660$. O Stadia é 65% mais caro que uma consola nova, pelo menos para quem quiser o benefício da qualidade de imagem e som.

 

É verdade que a comparação entre o Stadia e as consolas não é assim tão simples, mas onde quero chegar é que a nova proposta da Google está longe de ser revolucionária ou até, simplesmente, apetecível. Pelo menos para os jogadores.

 

Qual o futuro do Stadia?

 

No seu modelo atual não lhe vejo um futuro risonho. Até porque a Google está a ignorar o óbvio. Estes serviços de compra à peça são o passado. Os serviços de acesso total é que são o futuro, ou melhor, o presente. Serviços como o Netflix geram mais receita que os videoclubes digitais. Serviços como o Spotify geram mais receita que a venda de músicas em formato digital. E aquela conveniência de clicar num vídeo do Youtube e começar a jogar cai por terra se, pelo meio, é preciso confirmar que se quer comprar o jogo e percorrer todo o processo de pagamento.

 

Até nos serviços de streaming de jogos esse modelo à peça já deu provas de não funcionar. Quando a Sony lançou o serviço PlayStation Now, cobrava valores ilogicamente elevados para jogar um jogo por apenas algumas horas. Foi um fiasco, e passados poucos meses o PlayStation Now mudou para um sistema de subscrição mensal com acesso a todo um catálogo de jogos. O serviço da Sony conta atualmente com mais de 700.000 utilizadores.

 

A Google fez o que faz melhor: criar uma tecnologia impressionante. Mas não parece ter pensado em como torná-la realmente apelativa para os jogadores.

publicado às 14:35

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