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Vida Extra

Aventuras e desventuras no universo dos videojogos.

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Aventuras e desventuras no universo dos videojogos.

Jogos, mentiras e vídeo

Capa do jogo Pinocchio para a Super Nintendo

 

Dia das mentiras. Muitos videojogos e respetivas produtoras e editoras aproveitam o 1 de abril para brincar com os seus fãs.

 

Mas há casos em que o dia das mentiras foi encarado como o Natal: é quando uma pessoa quiser.

 

E algumas das maiores mentiras que nos contaram sobre videojogos - fora do 1 de abril - foram no formato de trailers: vídeos de apresentação de futuros jogos, que mostraram visuais fantásticos e feitos tecnológicos entusiasmantes... mas que afinal não eram reais.

 

O atual fenómeno dos Youtubers e a enorme audiência que assiste a vídeos de pessoas a jogar nas várias plataformas de partilha pode parecer estranha a muitos. Ora, esse fenómeno pode em boa parte ser atribuído aos muitos casos de trailers de jogos que, pura e simplesmente, venderam gato por lebre.

 

Hoje em dia, quase todos os trailers de jogos incluem texto sobre as imagens a indicar que "não são imagens reais do jogo" ou, inversamente, que se trata de "imagens capturadas diretamente do jogo". Mas, durante um certo período de tempo, quem quisesse saber exatamente qual o aspeto e jogabilidade de determinado título ficava mais bem servido ao ver um vídeo de um outro indivíduo a jogá-lo.

 

Em dia de mentiras, conheçam três exemplos do que de mais gritante se fez no mundo dos videojogos. Não quer dizer que tenha havido malícia - por vezes o desenvolvimento dos jogos não corre inteiramente de acordo com o planeado - mas estes três casos foram verdadeiras mentiras com enorme projeção.

 

 

Crackdown 3

 

Depois de se ter afirmado como um adversário de peso no fabrico de consolas com a Xbox 360, a Microsoft procurou inovar em todos os sentidos no lançamento da Xbox One. A coisa não correu bem, mas isso é outra história.

 

Uma das grandes inovações tecnológicas prometidas era a possibilidade dos jogos delegarem parte do seu intenso processamento para a "nuvem". Os poderosos servidores da Microsoft podiam realizar tarefas complexas e exigentes, que a consola sozinha não seria capaz.

 

E um dos exemplos apresentados deste "power of the cloud" ("o poder da nuvem") foi o jogo Crackdown 3. Não só os jogadores podiam bater-se no meio de uma cidade inteira, como seria possível destruir qualquer dos arranha-céus, que se desmoronavam em pedaços maiores ou menores, com um nível de detalhe nunca antes visto.

 

Crackdown 3 em 2015

 

Foram mostradas algumas demonstrações da tecnologia, mas o jogo - anunciado em 2014 - só seria lançado em... fevereiro de 2019.

 

E o tal modo de destruição maciça? Bem, a destruição está lá, mas está longe de ser maciça. A enorme cidade é agora um pequeno conjunto de edifícios e os desmoronamentos completos deram lugar à possibilidade de fazer buracos nas paredes. Já se viu melhor em jogos mais antigos...

 

Este vídeo do youtuber Red Dragon demonstra bem a diferença entre o que foi mostrado originalmente e o que acabou por ser lançado.

 

 

Aliens: Colonial Marines

 

A saga Alien teve muitas adaptações a videojogo, mas em 2011 ainda não tinha havido nenhuma que estivesse ao nível que os fãs dos filmes desejavam e do que a icónica criatura merecia. Isso parecia prestes a mudar quando a Sega apresentou uma demonstração do seu Aliens: Colonial Marines.

 

Altamente inspirado no segundo filme da Saga, os visuais do jogo deslumbravam de imediato pela sua qualidade e fidelidade ao original. Num setor barricado de uma base, os Marines tinham colocado torres de defesa e preparavam-se para o ataque de uma horda de aliens. E quando o ataque começa o jogo roça a perfeição: os aliens irrompem em grandes números das grelhas no chão, do teto e, basicamente, de todo o lado, com uma ferocidade incrível e numa intensidade poucas vezes vista num videojogo.

 

Aqui estava, finalmente, a perfeita adaptação de Alien aos videojogos. Vejam só:

 

 

Mas, como já devem estar a adivinhar, quando o jogo finalmente saiu em 2013 os visuais e a ação estavam longe do que tinha sido mostrado. Mesmo muito longe.

 

Não havia hordas de aliens. Apenas uns poucos de cada vez. E não saíam de todos os lados. E não tinham uma ferocidade por aí além. O vídeo originalmente mostrado não era o jogo a correr, era uma animação cuidadosamente preparada para parecer um jogo ideal a correr.

 

E Aliens: Colonial Marines não era apenas inferior ao vídeo que tinha sido mostrado. Era francamente mau. Havia os expectáveis vídeos a comparar as cenas da demonstração com as do jogo final, mas depois também havia vídeos de jogadores a completarem níveis inteiros do jogo sem disparar uma única bala, passando a correr pelos poucos aliens que lhes apareciam.

 

A disparidade era tal que um grupo de jogadores processou a Sega por publicidade enganosa. A editora acabou por chegar a um acordo extra-judicial e concordou em pagar 1,25 milhões de dólares em devoluções aos consumidores insatisfeitos com o jogo.

 

Felizmente, em 2014 a Sega lançou um digno videojogo do Alien...

 

 

Killzone 2

 

Em 2005 estávamos à beira de uma nova geração de consolas. Nos anos anteriores a Sega tinha deixado de produzir hardware depois do fracasso da Dreamcast, a Nintendo não tinha tido sucesso com a Gamecube e a estreia fraca da Microsoft com a Xbox não lhe augurava grande sucesso para o futuro. No extremo oposto estava a Sony, que tinha entrado e dominado o mercado com a PlayStation e repetido a façanha com a PlayStation2.

 

Ninguém hesitaria em apostar no sucesso da futura PlayStation 3 e a Sony não se acanhava nas promessas do que a nova consola poderia fazer. Na feira de videojogos E3 de 2005 revelou uma série de impressionantes trailers de jogos exclusivos para a sua máquina mais potente de sempre. E houve um que impressionou mais do que os outros.

 

 

O nível de pormenor e a qualidade dos gráficos e animações da sequela de Killzone eram absolutamente inéditos nos videojogos. De tal forma que muitos dos jornalistas e fãs se perguntaram: isto são mesmo imagens do jogo a correr ou é apenas um vídeo ilustrativo?

 

A questão foi colocada aos responsáveis da Sony e é neste ponto que o mito de Killzone 2 é gerado. Alguém responde que sim, aquilo é mesmo o jogo a correr.

 

Não era.

 

Na verdade, sabe-se agora que naquela altura o jogo ainda era pouco mais do que uma ideia. E se durante algum tempo a veracidade do trailer apenas suscitava dúvidas, com o lançamento da PlayStation 3 e da sua rival Xbox 360, começou a ser óbvio que os jogos da consola da Sony deixavam um pouco a desejar em termos visuais quando comparados com a consola da Microsoft. A qualidade gráfica de Killzone 2 parecia cada vez mais uma impossibilidade.

 

Mas neste caso a história acabou por ter um final feliz. Os produtores do jogo encararam as expetativas impossíveis à volta da sua criação não como um problema mas como um desafio. Fizeram questão de estar à altura e, depois de anos de trabalho, apresentaram a mesma sequência de jogo de 2005 mas agora a correr mesmo no hardware da consola. E era praticamente idêntico.

 

Killzone 2 foi um autêntico feito tecnológico. O jogo tem uma qualidade gráfica que ainda hoje poucos títulos conseguem igualar. Um misto de iluminação de aspeto muito natural, efeitos de fumo e partículas generosos e cenários que se desfazem de forma realista com os impactos de balas e explosões. No fundo, Killzone 2 conseguiu o que Crackdown 3 e Aliens: Colonial Marines não conseguiram.

 

Eu diria que... não é mentira se o tornarmos realidade.

publicado às 08:08

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