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Vida Extra

Aventuras e desventuras no universo dos videojogos.

Vida Extra

Aventuras e desventuras no universo dos videojogos.

O que é o Witcher, a nova série da Netflix?

Uma das apostas da gigante do streaming para este final de ano é uma série com Henry Cavill (o Super Homem dos filmes recentes) no principal papel. Mas o que é, afinal, este Witcher?

 

Promo da série The Witcher da Netflix

 

De onde veio?

 

A menos que sigam com interesse o mundo dos videojogos, provavelmente o título não vos dirá muito. E, por esse motivo, são frequentes as comparações com o Senhor dos Anéis ou, sobretudo, com a Guerra dos Tronos. Afinal de contas, há um mundo medieval, há combates e guerras e há sexo. Mas a comparação é redutora.

 

The Witcher é uma criação do escritor polaco Andrzej Sapkowski que remonta a 1986. Originalmente publicado em formato de conto, a personagem viria a protagonizar uma série de oito livros. No entanto, a popularidade e reconhecimento internacional seriam atingidos pela adaptação a videojogo feita pela CD Projekt Red. Mas não falem nisso ao autor...

 

Sapkowski tem um ódio de estimação à CD Projekt Red. A produtora de videojogos comprou os direitos de adaptação da personagem ao autor por uma quantia relativamente baixa. Terão oferecido também uma percentagem das futuras receitas de vendas dos videojogos, mas Sapkowski recusou. Não acreditava que isso dos videojogos alguma vez tivesse sucesso. Mas os vários videojogos viriam a vender mais de 30 milhões de exemplares e Sapkowski tentou recentemente processar a CD Projekt Red para receber a tal percentagem das receitas que tinha recusado. Uma tentativa estranha, dado que o próprio autor admite que foi ele que recusou.

 

Trailer da série The Witcher, na Netflix.

 

Mas o que há afinal neste Witcher, que o tornou um sucesso?

 

O mundo de The Witcher combina habilmente um ambiente medieval com todo o tipo de criaturas fantásticas. Elfos, gnomos e bruxas, mas também vampiros, lobisomens, fantasmas e todo o tipo de monstros e seres. E a genialidade de Sapkowski está na forma como todas estas espécies coabitam.

 

racismo galopante. Elfos, humanos e outras raças detestam-se mutuamente. As bruxas são perseguidas e queimadas vivas. Os monstros mais selvagens atacam tudo e todos. E, obviamente, há crime e violência generalizada.

 

E depois há os Witchers, que funcionam como uma espécie de caçadores de monstros. Devem ser os heróis de toda a gente, certo? Errado. Os Witchers são desprezados por todos. Mas as suas capacidades sobre-humanas e conhecimentos extensos sobre todo o tipo de monstros tornam-nos necessários nesta sociedade. Há sempre alguém com um problema com monstros que precisa de ser tratado e um Witcher pode fazê-lo, pelo preço certo.

 

Trailer "Matar Monstros", do jogo The Witcher 3: Wild Hunt.

 

E é este ambiente de "barril de pólvora", mais do que os grandes eventos que possam estar em marcha, que torna o mundo de The Witcher tão interessante. É um ambiente com uma riqueza que lhe dá um enorme potencial enquanto série televisiva, tal como já deu provas nos videojogos. Aguardo esta série com anseio!

 

Onde ver / ler / jogar?

 

- A série estreia dia 20 de dezembro na Netflix.

 

- Os livros estão editados em português pela Saída de Emergência.

 

- O jogo The Witcher 3: Wild Hunt está disponível para PC e consolas. A versão para PlayStation 4 está atualmente em promoção, a 8,99€. Sendo um dos melhores jogos da década, é quase dado!

publicado às 15:01

Jogador expulso por apoiar protestos em Hong Kong

O mundo pertence à China. Ou pelo menos está cada vez mais perto disso. O que me leva a dizê-lo não é nenhuma análise macroeconómica. Não. O maior indicador são as pequenas coisas.

 

Foto de Ng Wai Chung - jogador de Hearthstone

 

A Blizzard é uma das maiores produtoras de videojogos do mundo, criadora de sagas de renome como Warcraft, Starcraft, Diablo e, mais recentemente, Overwatch. E também Hearthstone, um título menos conhecido mas igualmente popular, que é uma espécie de Magic: The Gathering em formato digital.

 

Está atualmente a decorrer o campeonato Hearthstone Grandmasters: uma espécie de Liga dos Campeões onde competem os melhores jogadores mundiais de Hearthstone. Ao todo a competição atribui 500.000 dólares em prémios. Os jogos são transmitidos pela internet, bem como todo o tipo de conteúdos relacionados, sejam entrevistas, comentários ou biografias dos jogadores.

 

E foi no passado dia 6 de outubro que, numa entrevista após uma partida em Taiwan, o jogador Ng Wai Chung colocou uma máscara à semelhança dos manifestantes em Hong Kong e exclamou "Libertem Hong Kong".

 

 

Podia ter sido um pequeno episódio rapidamente esquecido... só que a Blizzard resolveu agir.

 

Ng Wai Chung foi rapidamente desqualificado da competição, perdendo direito a 4.000 dólares de prémios que já tinha acumulado. O motivo oficial foi ter violado uma regra que proíbe os atletas de fazer qualquer coisa que "cause ofensa a uma parte ou grupo do público ou que, de alguma forma, prejudique a imagem da Blizzard". Uma punição dura para quem só manifestou o desejo de liberdade.

 

Mas não foi só. O atleta foi ainda banido de futuras competições durante um ano. Uma punição que começa a ser exagerada.

 

Mas não foi só. Os dois apresentadores que estavam a conduzir a entrevista foram despedidos. E aqui já exagerámos no exagero.

 

Como podem imaginar, esta situação não passou despercebida e as críticas choveram. Não só entre os jogadores mas também um pouco por toda a indústria e entre políticos americanos Democratas e Republicanos. Até alguns empregados da Blizzard fizeram uma manifestação de protesto á porta da sede da empresa, chamando a atenção para dois dos 8 valores que a própria Blizzard assume como sua missão:

 

- "Todas as vozes são importantes", em que a empresa encoraja todos os seus empregados a pronunciarem-se e a ouvirem as opiniões e críticas dos outros.

 

- "Pensar global", em que a empresa se compromete a apoiar a sua comunidade de jogadores mesmo apesar das diferenças culturais.

 

E com este expectável "efeito Streisand", porque é que a Blizzard teve uma reação tão drástica?

 

Dinheiro. Muito.

 

A China é um dos maiores mercados do mundo para a indústria dos videojogos. E, para além de grande, continua em crescimento. E a China não é um mercado livre. Para operar na China, as empresas estrangeiras têm de obedecer a uma série de regras e operar em conjunto com empresas chinesas. E a autorização para operar na China pode ser revogada a qualquer momento, se as autoridades do país assim entenderem.

 

É, portanto, normal que a Blizzard não queira que nada nos seus jogos ou eventos possa perturbar as autoridades desse mercado tão importante. Mesmo que isso implique ser permeável aos seus próprios valores ou à Constituição do seu país de origem.

 

Foram as autoridades chinesas que exigiram à Blizzard que tomasse medidas? Duvido, mesmo que algumas teorias da conspiração apontem para o facto de uma das maiores empresas tecnológicas chinesas - a Tencent - ser dona de 5% da empresa.

 

Não. A verdade é que a importância do mercado chinês é tal que este tipo de reação se tornou natural e instintiva. Não queremos importunar, nem mesmo quando se trata de direitos fundamentais.

 

São as pequenas coisas que mostram a influência que a China conseguiu conquistar sobre o capitalismo ocidental.

 

E isto não terá sido um caso isolado?

 

Apenas um dia antes deste caso, Daryl Morey, o diretor da equipa americana de basquetebol Houston Rockets, publicou na sua conta do Twitter uma mensagem de apoio aos protestos em Hong Kong. Daryl Morey apagou o seu tweet. Daryl Morey pediu desculpa. A NBA publicou uma declaração a criticar Morey. Morey pode vir a ser despedido.

 

A abertura do mercado Chinês não é só uma oportunidade económica. É também uma oportunidade de tentar influenciar positivamente as políticas restritivas do país, rumo a um futuro mais aberto. Infelizmente, parece que estamos a assistir ao percurso inverso.

publicado às 17:40

Nintendo faz 130 anos... sim, cento e trinta

É um nome incontornável dos videojogos e, por isso, associada à modernidade da indústria eletrónica. Mas a verdade é que a Nintendo foi fundada a 23 de setembro de 1889. Há precisamente 130 anos.

 

Placa na antiga sede da Nintendo, em Kyoto

Imagem: Placa na antiga sede da Nintendo, em Kyoto. Retirada de https://en.wikipedia.org/wiki/File:Nintendo_former_headquarter_plate_Kyoto.jpg, usada sob licença Creative Commons Attribution 2.5 Generic.

 

Há uma década, quando o portal de jogos do SAPO deu a notícia dos 120 anos da Nintendo, houve uma chuva de comentários a gozar connosco e a chamar-nos incompetentes. 120 anos!?!? Muitas pessoas simplesmente não acreditavam e assumiram que era incompetência dos jornalistas do site.

 

Para uma empresa centenária, a Nintendo tem claramente um ar jovem: ninguém lhe dá a idade que tem. E, de facto, a empresa japonesa continua de plena saúde. Para isso contribui de certeza a sua capacidade de evoluir e se adaptar aos novos tempos. Se a Nintendo começou como fabricante de cartas de jogar, a sua entrada nos videojogos deu-se logo que estes apareceram, ao fabricarem periféricos para a Magnavox Odyssey - a primeira consola de jogos de sempre. A Nintendo lançou a sua primeira consola, a Color TV-Game, em 1977.

 

Ao longo do tempo, muitos analistas têm previsto a morte da Nintendo. Sempre estiveram errados.

 

Por exemplo, quando os smartphones se começaram a afirmar-se como plataformas de jogo, isso foi visto como o prenúncio da morte das consolas portáteis. E quando a Nintendo apresentou a Wii, uma consola com menos poder gráfico que as suas concorrentes e uns comandos que se agitavam no ar, isso foi visto como um sinal de fraqueza e admissão de derrota da Nintendo face às consolas rivais.

 

A Wii acabaria por vender mais de 100 milhões de unidades, tornando-se a terceira consola doméstica mais vendida de sempre (quase empatada com a PlayStation em segundo lugar).

 

Quanto à atual Nintendo Switch, foi a consola mais vendida do primeiro semestre de 2019. É portátil e continua a ter comandos que se agitam no ar.

 

Para os mais entendidos na indústria dos videojogos, há uma regra de ouro: nunca descartes a Nintendo.

 

Parabéns, Nintendo! Venham daí mais 130 anos!

publicado às 12:15

O desafio das caras velhas, versão videojogos

Nas últimas semanas parece que anda toda a gente a publicar nas redes sociais fotos suas com a cara "envelhecida".

 

Esta nova moda recorre à Facepp, uma aplicação para Android e iOS que usa Inteligência Artificial para alterar fotos de caras de diversas maneiras: mudar o penteado, mudar de sexo, envelhecer, etc. A app não é nova, mas por algum motivo voltou à ribalta com a função das caras envelhecidas. A utilização tem sido tanta que já surgiram os avisos de que a app pode não ser segura e ter acesso a vários dados do telemóvel... tal como a maioria das outras apps, digo eu.

 

E como aderir às modas dá cliques, resolvi adaptar esta moda ao universo dos videojogos. Mas em vez de usar a app, fui mesmo à procura de algumas personagens conhecidas dos videojogos que já tenham tido direito a versões mais e menos jovens. Trabalho fácil, já que os videojogos (e o cinema também) também têm recentemente explorado essa veia criativa das personagens envelhecidas.

 

Eis alguns exemplos.

 

Kratos (God of War)

 

Kratos (God of War) velho e novo

 

Um dos jogos mais aclamados do ano passado, God of War reimagina o trágico Kratos envelhecido, exilado da Grécia para os países nórdicos e com um filho.

 

Marcus Fenix (Gears of War)

 

Marcus Fenix (Gears of War) velho e novo

 

Também o recente Gears of War 4 reimaginou a sua personagem principal envelhecida, exilada e com um filho, embora num cenário diferente.

 

Max Payne (Max Payne)

 

Max Payne (Max Payne) velho e novo

 

Max Payne teve igualmente direito a uma versão envelhecida e solitária em Max Payne 3, lançado há alguns anos.

 

Solid Snake (Metal Gear Solid)

 

Solid Snake (Metal Gear Solid) velho e novo

 

Metal Gear Solid 4 surpreendeu ao apresentar a sua personagem principal envelhecida. Envelhecida mas não exilada. Snake mantinha-se no ativo apesar de sofrer um envelhecimento artificial acelerado.

 

Heihachi Mishima (Tekken)

 

Heihachi Mishima (Tekken) velho e novo

 

Ao longo da saga Tekken muitas das personagens envelheceram, mas é Heihachi quem tem uma evolução mais notória.

 

Ellie (The Last of Us)

 

Ellie (The Last of Us) criança e adolescente

 

A sequela de The Last of Us ainda não saiu, mas as imagens já reveladas mostram que a protagonista Ellie já não é uma criança.

 

Quase todos (Mortal Kombat)

 

Para fechar, um caso especial: a história de Mortal Kombat 11 põe as suas personagens a viajar para trás no tempo e a encontarem versões mais jovens de si próprios. O trailer abaixo mostra algumas delas. Mas atenção aos mais sensíveis: o trailer é bastante violento, não fosse Mortal Kombat o motivo pelo qual os videojogos têm classificação etária.

 

 

Lembram-se de outros exemplos? Partilhem nos comentários abaixo.

 

E se quiserem ver fotografias de consolas antigas tratadas por outra app, espreitem esta galeria:

Fotografia da Nintendo Entertainment System tratado pela app Prisma

 

publicado às 14:08

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