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Vida Extra

Aventuras e desventuras no universo dos videojogos.

Vida Extra

Aventuras e desventuras no universo dos videojogos.

Querem realizar um filme com Tarantino e Jennifer Aniston?

O criador de videojogos Paolo Pedercini ressuscitou um velhinho jogo de Steven Spielberg e transformou-o num filme interativo. E é grátis!

 

Imagem de Steven Spielberg's Director's Choices

 

Nos anos 80 o software era distribuído sobretudo em disquetes. Cada uma podia conter 1,44Mb de dados, o que nos dias de hoje não dava sequer para uma única fotografia tirada com o telemóvel. Mas nos anos 90 um novo formato estava a tornar-se acessível e popular: o CD-ROM. E um CD-ROM podia armazenar mais de 600Mb de dados, o que na altura era um luxo.

 

E com toda esta capacidade de armazenamento surgiu um novo género: os jogos em full motion video. Eram jogos quase exclusivamente em vídeo, que funcionavam como filmes interativos ou até com mecânicas mais elaboradas, mas uma grande componente de imagem real, filmada com atores.

 

Como era uma novidade, foram muitos os títulos lançados, e um dos menos conhecidos foi "Steven Spielberg’s Director’s Chair", uma espécie de simulador do trabalho de um realizador de cinema, saído da mente do popularíssimo realizador que deu o nome ao jogo. Só que, segundo os críticos da época, o jogo não era particularmente bom, o que explicará o facto de ter caído no esquecimento.

 

Mas eis que Paolo Pedercini resolveu recentemente pegar nas várias sequências do tal "filme" que o jogador tinha de realizar no jogo e transformou-as numa espécie de filme interativo. Uma versão simplificada do jogo original, em que apenas assitimos ao filme e vamos tomando decisões nos vários pontos-chave da narrativa, alterando o rumo da história.

 

E vale a pena?

 

Bem, é realizado por Steven Spielberg, o que para mim responde logo à pergunta de forma afirmativa. E é notória a qualidade da realização nos pequenos pormenores, muito superior ao que de melhor se fazia nos videojogos em full motion video da altura. Não está ao nível dos blockbusters do cinema realizados pelo mestre, mas está confortavelmente à altura dos episódios da sua série de televisão Amazing Stories (que podem ver gratuitamente no Internet Archive).

 

E depois ainda temos os atores: Quantin TarantinoJennifer Aniston nos papéis principais, e a dupla de ilusionistas Penn & Teller.

 

E para não haver mesmo desculpas, é grátis. Só precisam de aceder ao site "Director's Choices" e jogar.

 

Só um aviso: se a qualidade da imagem e do som vos parecer fraquinha, isso é normal. O vídeo nos computadores ainda era uma novidade na altura e só o facto de ser possível já parecia um pequeno milagre tecnológico.

 

Espero que gostem do vosso filme!

publicado às 16:54

Cuphead - um trailer de há 100 anos

Imagem do site do jogo Cuphead

 

É impossível não admirar Cuphead. Além de ser um bom jogo, é um trabalho meticuloso e perfecionista de recriação dos filmes de animação dos anos 30. Vê-lo em movimento é um mimo para os olhos e totalmente diferente de qualquer outro videojogo. Por isso mesmo o elegi como um dos jogos mais inacreditáveis do ano... em 2017.

 

Então porquê falar em Cuphead agora? Simples: o jogo foi finalmente lançado para a PlayStation 4 (mais vale tarde do que nunca) e o novo trailer consegue fazer o mesmo e fazer diferente do que os primeiros vídeos do jogo.

 

Em vez de se limitar a mostrar as imagens do jogo com o seu estilo de desenho animado de 1930, o novo trailer começa por adotar um aspeto de animação em stop-motion da mesma época e o resultado volta a ser fabuloso. Parece um reclame de há 100 anos (bom, OK, de há 90, não sejam picuínhas).

 

Ei-lo:

 

 

publicado às 15:25

O que é o Witcher, a nova série da Netflix?

Uma das apostas da gigante do streaming para este final de ano é uma série com Henry Cavill (o Super Homem dos filmes recentes) no principal papel. Mas o que é, afinal, este Witcher?

 

Promo da série The Witcher da Netflix

 

De onde veio?

 

A menos que sigam com interesse o mundo dos videojogos, provavelmente o título não vos dirá muito. E, por esse motivo, são frequentes as comparações com o Senhor dos Anéis ou, sobretudo, com a Guerra dos Tronos. Afinal de contas, há um mundo medieval, há combates e guerras e há sexo. Mas a comparação é redutora.

 

The Witcher é uma criação do escritor polaco Andrzej Sapkowski que remonta a 1986. Originalmente publicado em formato de conto, a personagem viria a protagonizar uma série de oito livros. No entanto, a popularidade e reconhecimento internacional seriam atingidos pela adaptação a videojogo feita pela CD Projekt Red. Mas não falem nisso ao autor...

 

Sapkowski tem um ódio de estimação à CD Projekt Red. A produtora de videojogos comprou os direitos de adaptação da personagem ao autor por uma quantia relativamente baixa. Terão oferecido também uma percentagem das futuras receitas de vendas dos videojogos, mas Sapkowski recusou. Não acreditava que isso dos videojogos alguma vez tivesse sucesso. Mas os vários videojogos viriam a vender mais de 30 milhões de exemplares e Sapkowski tentou recentemente processar a CD Projekt Red para receber a tal percentagem das receitas que tinha recusado. Uma tentativa estranha, dado que o próprio autor admite que foi ele que recusou.

 

Trailer da série The Witcher, na Netflix.

 

Mas o que há afinal neste Witcher, que o tornou um sucesso?

 

O mundo de The Witcher combina habilmente um ambiente medieval com todo o tipo de criaturas fantásticas. Elfos, gnomos e bruxas, mas também vampiros, lobisomens, fantasmas e todo o tipo de monstros e seres. E a genialidade de Sapkowski está na forma como todas estas espécies coabitam.

 

racismo galopante. Elfos, humanos e outras raças detestam-se mutuamente. As bruxas são perseguidas e queimadas vivas. Os monstros mais selvagens atacam tudo e todos. E, obviamente, há crime e violência generalizada.

 

E depois há os Witchers, que funcionam como uma espécie de caçadores de monstros. Devem ser os heróis de toda a gente, certo? Errado. Os Witchers são desprezados por todos. Mas as suas capacidades sobre-humanas e conhecimentos extensos sobre todo o tipo de monstros tornam-nos necessários nesta sociedade. Há sempre alguém com um problema com monstros que precisa de ser tratado e um Witcher pode fazê-lo, pelo preço certo.

 

Trailer "Matar Monstros", do jogo The Witcher 3: Wild Hunt.

 

E é este ambiente de "barril de pólvora", mais do que os grandes eventos que possam estar em marcha, que torna o mundo de The Witcher tão interessante. É um ambiente com uma riqueza que lhe dá um enorme potencial enquanto série televisiva, tal como já deu provas nos videojogos. Aguardo esta série com anseio!

 

Onde ver / ler / jogar?

 

- A série estreia dia 20 de dezembro na Netflix.

 

- Os livros estão editados em português pela Saída de Emergência.

 

- O jogo The Witcher 3: Wild Hunt está disponível para PC e consolas. A versão para PlayStation 4 está atualmente em promoção, a 8,99€. Sendo um dos melhores jogos da década, é quase dado!

publicado às 15:01

Jogador expulso por apoiar protestos em Hong Kong

O mundo pertence à China. Ou pelo menos está cada vez mais perto disso. O que me leva a dizê-lo não é nenhuma análise macroeconómica. Não. O maior indicador são as pequenas coisas.

 

Foto de Ng Wai Chung - jogador de Hearthstone

 

A Blizzard é uma das maiores produtoras de videojogos do mundo, criadora de sagas de renome como Warcraft, Starcraft, Diablo e, mais recentemente, Overwatch. E também Hearthstone, um título menos conhecido mas igualmente popular, que é uma espécie de Magic: The Gathering em formato digital.

 

Está atualmente a decorrer o campeonato Hearthstone Grandmasters: uma espécie de Liga dos Campeões onde competem os melhores jogadores mundiais de Hearthstone. Ao todo a competição atribui 500.000 dólares em prémios. Os jogos são transmitidos pela internet, bem como todo o tipo de conteúdos relacionados, sejam entrevistas, comentários ou biografias dos jogadores.

 

E foi no passado dia 6 de outubro que, numa entrevista após uma partida em Taiwan, o jogador Ng Wai Chung colocou uma máscara à semelhança dos manifestantes em Hong Kong e exclamou "Libertem Hong Kong".

 

 

Podia ter sido um pequeno episódio rapidamente esquecido... só que a Blizzard resolveu agir.

 

Ng Wai Chung foi rapidamente desqualificado da competição, perdendo direito a 4.000 dólares de prémios que já tinha acumulado. O motivo oficial foi ter violado uma regra que proíbe os atletas de fazer qualquer coisa que "cause ofensa a uma parte ou grupo do público ou que, de alguma forma, prejudique a imagem da Blizzard". Uma punição dura para quem só manifestou o desejo de liberdade.

 

Mas não foi só. O atleta foi ainda banido de futuras competições durante um ano. Uma punição que começa a ser exagerada.

 

Mas não foi só. Os dois apresentadores que estavam a conduzir a entrevista foram despedidos. E aqui já exagerámos no exagero.

 

Como podem imaginar, esta situação não passou despercebida e as críticas choveram. Não só entre os jogadores mas também um pouco por toda a indústria e entre políticos americanos Democratas e Republicanos. Até alguns empregados da Blizzard fizeram uma manifestação de protesto á porta da sede da empresa, chamando a atenção para dois dos 8 valores que a própria Blizzard assume como sua missão:

 

- "Todas as vozes são importantes", em que a empresa encoraja todos os seus empregados a pronunciarem-se e a ouvirem as opiniões e críticas dos outros.

 

- "Pensar global", em que a empresa se compromete a apoiar a sua comunidade de jogadores mesmo apesar das diferenças culturais.

 

E com este expectável "efeito Streisand", porque é que a Blizzard teve uma reação tão drástica?

 

Dinheiro. Muito.

 

A China é um dos maiores mercados do mundo para a indústria dos videojogos. E, para além de grande, continua em crescimento. E a China não é um mercado livre. Para operar na China, as empresas estrangeiras têm de obedecer a uma série de regras e operar em conjunto com empresas chinesas. E a autorização para operar na China pode ser revogada a qualquer momento, se as autoridades do país assim entenderem.

 

É, portanto, normal que a Blizzard não queira que nada nos seus jogos ou eventos possa perturbar as autoridades desse mercado tão importante. Mesmo que isso implique ser permeável aos seus próprios valores ou à Constituição do seu país de origem.

 

Foram as autoridades chinesas que exigiram à Blizzard que tomasse medidas? Duvido, mesmo que algumas teorias da conspiração apontem para o facto de uma das maiores empresas tecnológicas chinesas - a Tencent - ser dona de 5% da empresa.

 

Não. A verdade é que a importância do mercado chinês é tal que este tipo de reação se tornou natural e instintiva. Não queremos importunar, nem mesmo quando se trata de direitos fundamentais.

 

São as pequenas coisas que mostram a influência que a China conseguiu conquistar sobre o capitalismo ocidental.

 

E isto não terá sido um caso isolado?

 

Apenas um dia antes deste caso, Daryl Morey, o diretor da equipa americana de basquetebol Houston Rockets, publicou na sua conta do Twitter uma mensagem de apoio aos protestos em Hong Kong. Daryl Morey apagou o seu tweet. Daryl Morey pediu desculpa. A NBA publicou uma declaração a criticar Morey. Morey pode vir a ser despedido.

 

A abertura do mercado Chinês não é só uma oportunidade económica. É também uma oportunidade de tentar influenciar positivamente as políticas restritivas do país, rumo a um futuro mais aberto. Infelizmente, parece que estamos a assistir ao percurso inverso.

publicado às 17:40

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