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Vida Extra

Aventuras e desventuras no universo dos videojogos.

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Aventuras e desventuras no universo dos videojogos.

Presos por ter vaca e presos por não ter

Agora que o dia das mentiras já leva alguma distância podemos falar de um tema difícil de acreditar. A organização americana de proteção dos animais PETA está contra a Nintendo por causa de um jogo de ordenha de vacas.

 

Dou-vos um minuto para relerem a frase anterior, que vos garanto estar correta.

 

Confessem! Se eu escrevesse isto no dia 1 de abril (ou próximo disso) iam assumir que era uma mentirinha, certo? Mas não. Existe mesmo um jogo da Nintendo sobre ordenhar vacas. E a PETA está mesmo zangada com o jogo.

 

Imagem promocional do mini-jogo Milk

 

Trata-se do mini-jogo "Milk" presente em 1-2-Switch, uma coleção de mini-jogos para a mais recente consola da Nintendo. E para saberem exatamente do que estamos a falar, eis um trailer do dito:

 

 

E qual é o problema da PETA com este mini-jogo? Não é suficientemente violento.

 

Sim. Mais uma vez, parece mentira. Mas a PETA considera que as explorações pecuárias tratam mal os animais e que a Nintendo, ao criar um jogo tão inocente, está a mascarar a cruel realidade quando devia em vez disso chamar a atenção para o problema.

 

E antes que digam que isso até faz algum sentido perguntem-se: se a Nintendo tivesse criado o mesmo jogo com a violência e crueldade para com os animais o que é que a PETA teria dito? De certeza que não aplaudia e em vez disso iria criticar ainda mais a Nintendo. Presa por ter cão (ou vaca) e presa por não ter.

 

Nesta altura poderão dizer: "Mas não sabemos isso. Até podiam mesmo achar que a violência era necessária e, dadas as circustâncias, aceitável. Tal como dizem na queixa que publicaram."

 

E teriam toda a razão, não fosse o caso de a PETA já se ter queixado outras vezes sobre a violência contra os animais nos videojogos. Nomeadamente, contra a presença da caça à baleia no jogo Assassin's Creed 4: Black Flag. Nessa altura não acharam que demonstrar a crueldade da caça à baleia fosse uma necessidade para que não se adoçasse essa prática.

 

Mas, incoerências à parte, o meu problema com a PETA é outro.

 

A PETA tem um longo historial de criticar os videojogos. Já se queixaram do facto do Super Mario poder usar um fato de Tanuki (uma espécie de cão-guaxinim japonês), assumindo que isso promovia a caça e esfolamento das adoráveis criaturas, ou que o Pokémon promovia o encarceramento dos animais. Até atacaram o jogo de culinária "Cooking Mama" porque devia ser vegan (apenas com receitas à base de vegetais).

 

E o meu problema não é que eles embirrem com os videojogos. O meu problema é que todas as queixas que apresentam são estapafúrdias, sem impacto real nos direitos e bem-estar dos animais, quando tantos problemas reais existem para serem denunciados e resolvidos. O que a  PETA parece fazer é usar os videojogos como alvo fácil para chamar a atenção para si própria.

 

E sendo a intenção boa - a proteção dos animais, com a qual concordo absolutamente - vale a pena criticar a PETA por estas ações?

 

Talvez não. Mas vale a pena de certeza criticá-la por isto: A PETA zela pelo bem-estar dos animais de uma forma absoluta. Abate-os.

 

Sim. Mais uma vez, parece mentira. Mas, por exemplo, num abrigo para animais da PETA em Norfolk, Virginia, em 2014 a organização eutanaziou 73% dos animais ao seu cuidado.

 

Será mentira? Serão fake news? Nada como ir diretamente à fonte: a própria PETA explica no seu site porque é que defende que os animais devem ser abatidos.

 

É como curar uma dor de cabeça cortando a cabeça ao paciente. Seria ridículo se não estivessem a matar animais aos milhares. E isso sim é mais que motivo para crítica.

publicado às 19:01

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