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Vida Extra

Aventuras e desventuras no universo dos videojogos.

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Os jogos mais inacreditáveis de 2017

O fim do ano aproxima-se a alta velocidade. Os grandes videojogos que havia para lançar já estão nas lojas. Os pequenos também. E por isso, um pouco por todo o lado, aparecem as listas de "melhores do ano".

 

No que toca a jogos foi um ano em cheio. A quantidade e variedade de excelentes videojogos lançados durante 2017 é digna de nota.

 

Só que listas de melhores jogos do ano é o que não falta. Em vez de estar a fazer o mesmo que os outros, prefiro deixar-vos um link para as recomendações do SAPO Tek e fazer algo de diferente. Eis...

 

... os jogos mais inacreditáveis de 2017!

 

Não são necessariamente os melhores. Mas são tão diferentes ou tão originais ou tão improváveis que é difícil de acreditar que existam. A ordem de apresentação não interessa, apenas importa os motivos pelos quais estão na lista.

 

 

Hellblade: Senua’s Sacrifice

 

Imagem de HellBlade: Senua's Sacrifice

 

À primeira vista pode parecer um misto de jogo de terror e de ação. Mas não. Hellblade é uma experiência perturbadora que nos leva a ver o mundo pelos olhos de alguém que sofre de psicose. As vozes na nossa cabeça são uma constante à medida que avançamos no jogo. As vozes confortam-nos, assustam-nos, ajudam-nos, tudo em simultâneo até ao ponto de não sabermos como lidar com elas. E estão sempre lá.

 

Mas a psicose não é o mote para a ação. Não é uma desculpa para os combates. É apenas uma realidade com que temos de conviver durante o jogo e que acaba por definir cada passo da experiência. No fundo o que Hellblade faz é mostrar um pouco do que é a vida de alguém que sofre desta condição.

 

Só o facto de alguém ter criado um jogo que aborda este tema de forma tão empática já seria relevante. Mas Hellblade ainda consegue outro feito: ser um jogo de alto valor de produção feito com uma pequena equipa.

 

 

 

Everything

 

Logotipo de Everything

 

Everything é um jogo sobre tudo. Nele podemos ser uma ínfima molécula ou uma imensa galáxia. Ou qualquer outra coisa entre elas. E em qualquer dos casos podemos contemplar a nossa posição e função num todo que é muito maior do que nós próprios.

 

O jogo é baseado na obra do filósofo Alan Watts e é narrado pelo próprio. É uma daquelas experiências que não poderiam existir noutro meio que não os videojogos. Um jogo sobre o significado de "ser" e que nos ajuda a ter uma nova perspectiva sobre nós próprios e sobre o universo em que existimos.

 

E mesmo quando paramos de jogar, Everything continua a jogar-se sozinho. Tal como o universo continua a funcionar após cada um de nós deixar de existir.

 

 

 

The Legend of Zelda: Breath of the Wild

 

Imagem de The Legend Of Zelda: Breath Of The Wild

 

Este é daqueles que à partida não parece ter lugar nesta lista. Sim, é um excelente jogo. Mas o que tem de inacreditável mais uma sequela de uma saga bem conhecida?

 

Não é fácil de explicar, mas Breath of the Wild é mesmo do outro mundo. Não é só um ótimo jogo. Aliás, até podíamos argumentar que em alguns pontos podia ser melhor. Só que, no seu todo, este novo Zelda é uma experiência única e inesgotável. Um jogo que incorpora todos os modelos mais habituais dos jogos de aventura em mundo aberto da atualidade, mas que em simultâneo não mostra nenhum sinal disso.

 

Breath of the Wild parece um mundo orgânico, com vida própria, em que as coisas acontecem não porque lá foram colocadas para o jogador fazer mas porque assim existem naturalmente. Não há locais no mapa aonde temos de ir, o que há são caminhos para percorrer e uma imensidão de coisas a descobrir a cada passo. Literalmente a cada passo, porque cada metro quadrado do mundo de Breath of the Wild parece ter algum pequeno pormenor para descobrir.

 

Breath of the Wild move-nos, não porque há missões para cumprir mas sim porque há um sem número de coisas para descobrir. Há algo de novo e interessante para lá daquele monte, qualquer coisa de valioso no topo daquela montanha, um qualquer segredo num aparentemente simples buraco no chão.

 

Mesmo depois de "terminar" o jogo, há sempre coisas que não descobrimos e lugares que não explorámos. A vontade de regressar ao mundo de Hyrule nunca desaparece. Somos uma criança fascinada, que ainda tem o mundo todo para descobrir. E não me lembro da última vez que joguei um jogo assim.

 

 

 

Nier: Automata

 

Imagem de Nier Automata

 

É quase impossível explicar porque é que Nier: Automata deve estar nesta lista sem estragar a experiência ou fazer spoilers.

 

A primeira vez que se joga pode parecer um jogo de ação com uma saudável mistura de estilos, que vai alternando constantemente entre modos de câmara. Também tem algumas opções de gestão de personagem mais parecidas com um jogo de role play (RPG). É só quando se repara que existe nesses menus uma opção para cometer suicídio que a coisa começa a parecer mais invulgar.

 

É preciso jogar Nier: Automata até ao fim para perceber que não se jogou até ao fim. E mais não digo.

 

 

 

Wolfenstein 2: The New Colossus

 

Imagem de Wolfenstein 2: The New Colossus

 

Wolfenstein 2 está nesta lista apenas devido às circunstâncias. No mundo de Wolfenstein 2 a Alemanha Nazi ganhou a segunda guerra mundial e os Estados Unidos estão ocupados pelo Reich. Soldados alemães patrulham as ruas pacatas de cidades americanas e convivem alegremente com membros do Ku Klux Klan.

 

Não é propriamente um cenário original. Nem uma história criada com intuitos de comentário social e político. Mas desde a eleição de Trump que os Estados Unidos têm sido palco de um escalar de movimentos supremacistas. E, de repente, aquilo que era uma fantasia a dar o mote para um jogo de ação obriga-nos a refletir sobre um futuro que afinal pode não ser tão improvável.

 

 

 

Playerunknown's Battlegrounds

 

Imagem de Playerunknown's Battlegrounds

 

Em qualquer dia há cerca de 2 milhões de utilizadores em simultâneo a jogar Playerunknown's Battlegrounds (PUBG). O jogo já vendeu mais de 20 milhões de cópias. É um dos jogos mais vendidos de sempre e um dos jogos mais jogados da atualidade.

 

E ainda nem sequer foi lançado.

 

Se há um jogo em 2017 que pode ser considerado um fenómeno, é este. E não é só o seu sucesso, é o facto de ser desenvolvido por uma pequena equipa criada por alguém que nunca tinha sido criador de jogos nem grande jogador.

 

Brendan Greene era um mero jogador ocasional que começou a criar mapas e modificações para alguns dos jogos que jogava. Uma das suas modificações tornava o jogo DayZ numa "Battle Royale": um combate mortal até ao último sobrevivente (pensem em «Os Jogos da Fome», ou no «Battle Royale» original). A fórmula tornou-se popular e foi sendo melhorada, até que Greene resolveu criar o seu próprio jogo.

 

Playerunknown's Battlegrounds está disponível em acesso antecipado. As pessoas pagam para poder jogar uma versão de desenvolvimento. O jogo ainda tem muitos bugs por corrigir, mas os jogadores não se importam. A experiência de jogo é tão eletrizante que... Bom, o sucesso fala por si. Algumas das maiores editoras de videojogos já estão a copiá-lo e com sucesso também.

 

 

 

Cuphead

 

Imagem de Cuphead

 

Há os jogos retro, com imagens pixelizadas a fazer lembrar "os bons velhos tempos". E depois há o Cuphead, com imagens que reproduzem habilmente os desenhos animados dos primórdios do cinema de animação.

 

Ao ver Cuphead em movimento é impossível ficar indiferente. Salta à vista de tão diferente que é de tudo o resto. E salta à vista também pela absoluta perfeição com que é feito.

 

Não sei o que passou pela cabeça dos criadores para acharem boa ideia fazer um jogo baseado nos filmes de animação dos anos 30. Mas ainda bem que o fizeram.

 

 

 

CryptoKitties

 

Imagem de CryptoKitties

 

As criptomoedas (Bitcoin e afins) estão em ascenção meteórica. Tão meteórica que surgem cada vez mais alertas para os riscos associados a algo que parece valorizar sempre e sem limites.

 

Para quem não sabe, as criptomoedas são uma forma de dinheiro digital que não depende de nenhuma instituição centralizada. O "criptodinheiro" é gerado (usa-se o termo "minar") e transferido de forma segura entre entidades usando apenas a infraestrutura partilhada dos seus utilizadores. Cada "moeda" é única e nem a moeda nem o seu detentor podem ser falsificados.

 

E então alguém pensou: "Vou usar essa tecnologia para fazer um jogo de coleção de gatinhos"!

 

CryptoKitties usa uma das redes de criptomoedas para, em vez de gerar "dinheiro", gerar gatinhos. O jogador tem a certeza que cada gatinho é único e é só seu. E, se pensarmos bem, isso é o derradeiro jogo de colecionismo. Conceptualmente está perfeito!

 

Por outro lado, o sucesso do jogo já está a levantar problemas de desempenho na rede da criptomoeda Ethereum, sobre a qual assenta. Podemos dizer que, além de absolutamente fora da caixa, CriptoKitties ainda consegue demonstrar uma das fragilidades das criptomoedas.

 

 

O que podemos concluir desta lista?

 

Podíamos encontrar muitos outros exemplos de jogos inacreditáveis em 2017. Aliás, aproveitem para partilhar nos comentários as vossas sugestões.

 

Mas o que acho que vale a pena reter é que 2017 foi um ano riquíssimo para os videojogos. Não apenas porque houve muitos jogos de qualidade, mas também porque houve muitos jogos "diferentes". E isso é bom! Inovação precisa-se. Sempre. E ficámos bem servidos este ano.

publicado às 09:50

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