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Vida Extra

Aventuras e desventuras no universo dos videojogos.

Vida Extra

Aventuras e desventuras no universo dos videojogos.

O meu pai é mais forte que o teu

É uma comparação recorrente. Em termos de receita os videojogos ultrapassam de longe o cinema e todas as outras formas de entretenimento, particularmente nos "fins-de-semana de estreia". Ainda na semana passada a Microsoft anunciou que Halo 5 gerou mais receitas que o último filme de James Bond.

 

Obviamente que a comparação não é assim tão simples.

 

O contra-argumento mais comum é que o preço dos videojogos é muito superior ao de um bilhete de cinema: 70€ para um novo jogo, 7€ para um bilhete de cinema; valores aproximados, só para dar uma ideia da diferença. Não é portanto de estranhar que um jogo, mesmo com menor número de vendas, consiga mais receita. Por outro lado também podíamos argumentar que se os jogos custassem apenas 7€ venderiam muito mais, ou que... Bom, o melhor mesmo é assumir que as comparações diretas não são possíveis. Senão ainda tínhamos de explorar como os filmes voltam a gerar receita quando são lançados em DVD/Blu-Ray e vendidos para transmissão na TV e acabávamos na (habitual) discussão infantil de que "o meu pai é mais forte que o teu".

 

Recordes de "estreias" à parte, uma coisa é certa: no seu todo a indústria dos videojogos já supera a do cinema e a da música, mesmo no nosso país, e as grandes editoras de videojogos são gigantes que querem ser cada vez maiores.

 

O exemplo mais recente é a Activision Blizzard, que já era grande mas que nas últimas semanas deu mais três passos de gigante.

 

1. Criou uma nova divisão da empresa dedicada aos desportos eletrónicos

 

Ao obervador incauto isto pode parecer ridículo, mas posso dar dois exemplos rápidos da magnitude e importância das competições de videojogos: 1º) a final mundial do campeonato de DotA 2 atribuiu um total de mais de 18 milhões de dólares (sim, são milhões) em prémios, dos quais 6,6 milhões foram para o primeiro classificado; e 2º) já o ano passado a final do evento chamou a atenção dos grandes órgãos de comunicação social ao esgotar os bilhetes para a Key Arena, em Seattle, em menos de uma hora, isto sem falar nas centenas de milhar de fãs que assistem aos jogos em direto online.

 

São dois exemplos para apenas um jogo. No total isto é um negócio de milhões, seja em dinheiro ou em público. As estimativas são de que mais de 150 milhões de pessoas tenham jogado ou assistido a jogos dos títulos da Activision Blizzard. Por isso mesmo a Activision foi buscar para liderar esta nova divisão da empresa, nem mais nem menos que Steve Bornstein, ex-CEO do canal televisivo de desportos ESPN. E para comparação, sabem quantos subscritores tem a ESPN? Também cerca de 150 milhões.

 

2. Aquiriu uma das maiores produtoras de jogos para telemóveis do mundo

 

Se não os podes vencer, compra-os. Os jogos para telemóvel tiveram um crescimento gigantesco nos últimos anos e já rivalizam com os seus congéneres para PC e consolas. Mas criar um jogo mobile que renda milhões não é tarefa fácil, pois todo o modelo de negócio, formas de promoção e mecânicas de jogo obedecem a regras muito diferentes das dos jogos mais "clássicos". A estratégia da Activision Blizzard passou então por comprar a King, criadores do mega sucesso Candy Crush Saga. O negócio fez-se por 5,9 mil milhões de dólares.

 

3. Criou um estudio de produção de cinema e TV

 

Se não os podes vencer, junta-te a eles. Ou neste caso, faz o mesmo que eles. A Activision Blizzard anunciou na passada sexta-feira que vai criar um estúdio de produção de filmes e séries de TV. Os primeiros projetos serão um conjunto de filmes baseados no franchise Call of Duty e uma série de animação infantil  baseada nos videojogos-brinquedo Skylanders.

 

A empresa já tem contado com atores de renome nos seus jogos (ocorrem-me assim de repente o Jeff Goldblum e o Ron Perlman no recém-lançado Call of Duty: Black Ops III e John Malkovich no capitulo anterior) e vai estrear em 2016, através da Universal, o filme baseado no universo Warcraft, outro dos grandes geradores de receita da Activision Blizzard (o jogo online World of Warcraft já teve mais subscritores ativos que a população de Portugal, e todos a pagar uma subscrição mensal).

 

Um futuro risonho?

 

Talvez, mas este movimento expansionista da Activision Blizzard também é fruto da necessidade. As vendas e lucros têm baixado e na mais recente apresentação de resultados a empresa informou que, em vez de números de vendas, vai passar a revelar sobretudo "métricas de utilização".

 

A isto podemos somar as dúvidas sobre a capacidade da King de repetir o sucesso do jogo Candy Crush Saga. O pico de jogadores já passou e as receitas do jogo têm vindo a diminuir. A história recente das produtoras de jogos mobile diz-nos que as empresas que criam os maiores sucessos raramente conseguem repetir a façanha. A King até já conseguiu criar novos sucessos após o Candy Crush, mas nenhum com o mesmo nível de desempenho.

 

E quanto a entrar na produção de filmes e séries de TV? A Microsoft ainda recentemente tentou o mesmo, quando apresentou a sua consola Xbox One como mais virada para os conteúdos televisivos. Foi criada uma divisão de produção de conteúdo televisivo e anunciada uma série de TV produzida por Steven SpielbergA Microsoft fechou esta divisão apenas um ano depois.

 

Mas uma coisa é certa. A indústria dos videojogos gera milhões. Apesar de ainda ser vista por muitos como um passatempo de crianças (e de adultos que se comportam como crianças), a verdade é que é uma indústria amadurecida e para todas as idades. Sem picardias, é uma indústria que ultrapassa a do cinema e da música. O meu pai é mais forte que o teu!

publicado às 10:00

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