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Vida Extra

Aventuras e desventuras no universo dos videojogos.

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Drama, roubo e intriga internacional: é o filme Tetris

Há jogos que davam um grande filme. Pelo menos em teoria, porque na prática tem sido outra história. E depois há outros jogos, como o Tetris, que é muito difícil imaginar que resultariam no grande ecrã. Não que isso alguma vez tenha sido impedimento: ainda há pouco tempo saiu um filme baseado na Batalha Naval e a série nacional Paraíso Filmes brincou com a ideia de um filme baseado no Solitário do Windows.

 

 

Mas falemos a sério. O jogo Tetris, com a sua mecânica simples de encaixar peças para completar linhas, não parece ter ponta por onde se lhe pegue para conversão a filme. Só que a história de como o jogo surgiu e se veio a tornar um fenómeno mundial, essa é um autêntico épico.

 

Ora, há cerca de um ano atrás surgiram notícias de que o jogo Tetris ia ser adaptado a filme, com uma história épica de ficção científica. E o meu comentário na altura foi precisamente:

 

"Medo! O que me chateia é que a história verdadeira da criação e da distribuição do Tetris dava um grande filme de certeza, com roubo dos direitos de distribuição, processos em tribunal, reuniões entre ministros soviéticos e japoneses, etc."

 

Pois bem, felizmente alguém achou o mesmo que eu e na semana passada tivemos o anúncio que estava em desenvolvimento um filme sobre a criação do Tetris, pela mão de Brett Ratner.

 

A história do jogo é de facto impressionante. Criado na União Soviética, em plena guerra fria, por Alexey Pajitnov e dois colegas, o jogo não podia ser comercializado. Os programadores trabalhavam no Centro de Computação da Academia de Ciências soviética e as suas criações pertenciam ao estado. Decidiram então distribuir cópias gratuitamente por colegas e amigos e, obviamente, que o jogo acabou por chegar ao ocidente. Uma empresa britânica começou então a vender os direitos de comercialização do jogo para PC e consolas, direitos que dizia ter. Era falso, mas o jogo começou mesmo a ser vendido no ocidente e tornou-se um sucesso.

 

A venda e subvenda dos direitos do Tetris acabou por tornar-se um enorme imbróglio. Várias companhias estavam a vender e ceder direitos em vários territórios e diferentes plataformas, sem realmente terem esses direitos. Quando a Nintendo quis vender a sua nova consola portátil, o Game Boy, com o Tetris incluído a situação descontrolou-se e deu origem a uma longa guerra nos tribunais, onde até ministros britânicos e soviéticos estiveram envolvidos.

 

 

Este sucesso não beneficiou o criador do jogo. Alexey Pajitnov nunca recebeu nenhum dinheiro destes negócios e só em 1996, emigrado para os Estados Unidos, é que conseguiu finalmente ver os seus direitos de autor reconhecidos. Pajitnov criou a The Tetris Company para continuar a explorar o merecido sucesso da sua criação.

 

E isto é uma versão muito resumida da história, só para abrir o apetite para o filme.

 

Tetris é provavelmente um dos melhores jogos de sempre. É tão simples que qualquer pessoa o consegue perceber e começar a jogar de imediato, mas é tão desafiante que nos deixa agarrados e a pensar em todas as formas de encaixar as suas peças. Essa mecânica simples dificilmente daria um bom filme, mas a história por trás da sua criação e percurso... quero ver esse filme!

 

Do outro filme Tetris, de ficção científica, felizmente não se voltou a ouvir falar...

publicado às 14:20

2 comentários

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    namorado 02.12.2015 10:14

    Obrigado Escritor Mascarado! O Tetris é mesmo muito mais que "encaixar peças".
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