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Vida Extra

Aventuras e desventuras no universo dos videojogos.

Vida Extra

Aventuras e desventuras no universo dos videojogos.

Jogar com a arte

Há uma discussão recorrente sobre se os videojogos são ou não "arte". Curiosamente, há criadores de videojogos de renome que acham que não, não são. Mas numa outra perspetiva, há vários casos de arte que foi transformada em videojogo, e com resultados fantásticos.

 

Falo nisto porque a Sony Computer Entertainment Espanha apresentou esta semana o videojogo espanhol Nubla, cujos cenários se baseiam em alguns dos quadros da coleção permanente do Museu Thyssen-Bornemisza, em Madrid. Espreitem o trailer:

 

 

Não é difícil perceber o apelo que este tipo de projetos tem para as instituições culturais: é uma forma fantástica de levar a arte a um público mais vasto, permitindo uma interatividade inigualável em outros meios, que promove um envolvimento muito maior e mais duradouro, e que no fundo faz crescer inevitavelmente o interesse pela arte.

 

E este não é o primeiro caso em que a arte se tornou "jogável". Dois exemplos excelentes (na minha opinião) são:

 

1. Este trabalho experimental de Ali Eslami, que transforma as pinturas de Magritte num mundo tridimensional que o "jogador" pode explorar livremente.

 

 

2. As perspetivas imposíveis de Escher como base para um jogo de quebra-cabeças, com o título echochrome.

 

 

Mas afinal os videojogos são ou não arte?

 

Bom, a discussão de certeza que se vai manter. Mas parece-me claro que não é por as Páginas Amarelas serem um livro que se tornam automaticamente uma obra de literatura. Para algo ser arte não basta obedecer a um formato, é preciso merecer o título. Ou dito de forma mais popular: "o que interessa não é o formato, é o que fazes com ele".

 

Os videojogos podem perfeitamente ser obras de arte se de facto exprimirem o sentimento dos seus criadores ou inspirarem a emoção de quem os joga. E disso, muitos videojogos já deram provas.

publicado às 14:26

Todos querem e ninguém usa

A Xbox One recebeu finalmente a retrocompatibilidade. O que é isso? Uma funcionalidade que permite jogar os títulos da sua antecessora, a Xbox 360, na nova consola. (Sim, a Xbox One saiu depois da Xbox 360. O "One" é só para despistar.)

 

Isto era algo de que muitos jogadores se queixavam desde o lançamento da Xbox One. Idem para a PlayStation 4, que não permite jogar os jogos da PS3, embora a Sony já tenha em testes um serviço que vai permitir jogar esses jogos remotamente por streaming de vídeo (semelhante ao que faz o MEO Jogos).

 

O leitor mais atento perguntará: "Mas se é para jogarem jogos da consola antiga porque é que compraram a consola nova?"

 

É uma excelente pergunta, mas eu infelizmente não sei a resposta. É verdade que para quem faz o "upgrade" - quem tem a consola antiga e compra a nova - e ainda tem jogos da consola anterior para jogar isto até dá jeito. Evita ter de mantar ambas as consolas ligadas e a ocupar espaço. Mas à parte a eventual conveniência que pode ter para alguns, não há outras grandes vantagens. E se o motivo for esse, então o que faria sentido era disponibilizar esta funcionalidade logo no lançamento da consola e não agora, passados 2 anos.

 

É muito difícil encontrar dados concretos sobre a quantidade de pessoas que de facto usam este tipo de funcionalidade, mas o próprio "patrão" da Xbox afirmava há 2 anos atrás que eram apenas 5% e que por isso a retrocompatibilidade não fazia sentido. Eu pessoalmente já experimentei a retrocompatibilidade em várias consolas... durante alguns minutos. Basicamente fui ver como funcionava, joguei um bocadinho e dei-me por satisfeito. Não voltei a usar.

 

Isto acaba por ser apenas uma forma de ter mais um argumento para vender a consola. Duas semanas depois da Xbox One permitir jogar (alguns) jogos da Xbox 360 já a PlayStation afirma que vai ser possível jogar (alguns) jogos da PlayStation 2 na PlayStation 4. E no meio disto todos parecem ter esquecido que a Wii U da Nintendo corre todos os jogos da sua antecessora Wii desde o lançamento, algo que, infelizmente, não a tornou um sucesso de vendas.

 

Mas posso estar a ver mal a coisa. A verdade é que, retrocompatibilidades à parte, o mundo dos videojogos tem sido invadido nos últimos anos por uma autentica vaga de remakes e remasters. Pega-se num jogo da geração de consolas anterior, melhoram-se um pouco os gráficos, e lança-se de novo o jogo para a nova geração de máquinas. Isto há 5 anos atrás era uma coisa rara, mas agora são às dezenas e dezenas de lançamentos.

 

Não tenho nada contra, e se as editoras continuam a fazê-lo é porque há público que compra. Mas fica-me a remoer no pensamento uma questão: Não deviam estar a fazer jogos novos?

publicado às 11:00

Este cavalo é melhor que a Uber

Metal Gear Solid é uma das mais aclamadas sagas dos videojogos, e não é por acaso. O primeiro capítulo saiu para a PlayStation original e contribuiu para cimentar a imagem da consola e dos videojogos como uma forma de entretenimento que já não era apenas para crianças.

 

Metal Gear é uma história de ação e espionagem, com uma mensagem contra a proliferação do armamento nuclear. Para além de uma excelente jogabilidade, tudo isto é servido numa linguagem cinematográfica e com personagens memoráveis. Psycho Mantis continua a ser considerado um dos melhores vilões - até mesmo o melhor - pela maioria dos jornalistas e entusiastas. Como derrotar um inimigo que lia os nossos pensamentos e até sabia que outros jogos andávamos a jogar?

 

A história de Metal Gear Solid é demasiado extensa (vai do início da guerra fria até à atualidade) e complexa para resumir aqui. Por isso vou dizer apenas que em Metal Gear Solid V: The Phantom Pain, o mais recente capítulo, lançado há algumas semanas, a narrativa começa no Afeganistão em plena ocupação soviética.

 

Neste quinto capítulo podemos levar connosco para as missões um "parceiro". Ao longo do jogo vão estar vários à nossa disposição, mas no início temos apenas um cavalo. E que cavalo! Além de ser o meio de transporte ideal para os terrenos acidentados do Afeganistão, este cavalo vem buscar-nos imediatamente assim que o chamamos. E vai buscar-nos a sítios improváveis. Na verdade este cavalo é melhor que a Uber. Até me vai buscar ao todo da muralha de um forte soviético, como podem ver no vídeo abaixo:

 

 

A Uber (ainda) não faz isto!

 

Brincadeiras à parte, vale a pena conhecerem melhor Metal Gear Solid. Espreitem um dos muitos e geniais trailers do último capítulo, que faz uma retrospetiva de toda a série:

 

 

publicado às 19:49

O heavy metal e os jogos ainda são os causadores da violência

Não demorou muito. Face a um novo episódio de horror e violência com os ataques de 13 de novembro em Paris, vários comentadores e jornalistas apressaram-se a encontrar um bode expiatório fácil. E os videojogos e o heavy metal ainda são bons alvos.

 

É uma história antiga e que se repete sempre: a culpa das crises da sociedade é atribuída às coisas novas e desconhecidas (pelos mais velhos). Recentemente têm sido os videojogos, antes disso foi o heavy metal. Mas esta atribuição de culpa pode ir sendo encontrada novamente à medida que recuamos no tempo: dos mais óbvios, como o rock and roll e a televisão, aos mais antigos e claramente ridículos quando vistos na perspetiva dos nossos dias, como a valsa ou os romances de cordel.

 

Com o apelo dos títulos sonantes e das explicações fáceis, muitos órgãos de comunicação social noticiaram que o ataque no Bataclan estava relacionado com o facto de estar a ocorrer um concerto de heavy metal (não estava) e que os ataques teriam sido planeados e combinados com recurso à PlayStation 4 (não foram, pelo menos que se saiba até ao momento).

 

O heavy metal

 

Eis um momento em que a TVI 24 pergunta se será coincidência um dos ataques ter sido realizado num concerto de heavy metal, captado e partilhado por um utilizador no Facebook:

 

 

E outro em que a CMTV afirma que a banda Eagles of Death Metal toca músicas dos Eagles em versão death metal, captado e partilhado por outro utilizador:

 

 

Vamos esquecer a distinção entre heavy metal e death metal e dizer apenas que ninguém se deu ao trabalho de ir verificar que os Eagles of Death Metal são uma banda de rock.

 

Vejam uma das atuações deles, entretanto partilhada pela CMTV:

 

 

Mas a situação mais caricata até foi esta em que o logo dos rebeldes de Star Wars foi confundido com a bandeira o estado islâmico:

 

 

Valeu a pronta e honesta assunção do erro pelo jornalista.

 

Os videojogos

 

No meio desta confusão os videojogos até escaparam. Os grandes títulos não foram de que os terroristas tinham usado os videojogos para treinarem os ataques, mas antes que teriam usado a aplicação de mensagens da PlayStation 4 para planear os ataques.

 

Isto até é possível, mas não foi confirmado. Os títulos só apareceram poque o ministro belga Jan Jambon tinha uns dias antes afirmado num evento que plataformas como a PlayStation 4 são as novas ferramentas de recrutamento usadas pelos terroristas, e que são muito mais difíceis de espiar que os meios tradicionais.

 

Passados dois dias já se encontram inúmeros órgãos de comunicação a esclarecer que não foram encontradas evidências da utilização da PlayStation na preparação dos ataques.

 

As soluções fáceis

 

Na resposta a ataques e massacres já foi muitas vezes sugerido que se deviam proibir os videojogos violentos. Mas a situação parece ter evoluído. A reação agora vai mais no sentido de proibir a privacidade: Após os ataques de 13 de novembro vários políticos exigiram a aprovação de leis que permitam aos estados limitar o direito dos cidadãos à encriptação dos seus dados e comunicações e ao mesmo tempo facilitar o acesso das forças de segurança a essas informações.

 

Tal como proibir os jogos violentos, esta é uma solução tentadora. Uma solução fácil para um problema complexo. Como se fosse assim tão simples...

publicado às 12:25

Nos videojogos o Star Wars estreia mais cedo

É o filme mais aguardado do ano. Diria mesmo do milénio, se bem que o milénio ainda há pouco começou. Só estreia nos cinemas lá para meio de dezembro.

 

Mas no mundo dos videojogos já é possível mergulhar de novo nessa galáxia far, far away. O jogo Star Wars Battlefront é lançado já na semana que vem. Aliás, quem aderiu ao serviço "Early Access" da Electronic Arts (a editora do jogo) pode começar agora mesmo a jogá-lo.

 

OK, não é a mesma coisa que ver o novo filme da saga e a ação nem se passa no mesmo período de tempo que o Episódio VII, remetendo para a altura de «O Império Contra-Ataca» e «O Regresso de Jedi», mas o jogo permite-nos mergulhar em cenas icónicas como a Batalha de Hoth (com Walkers e Snowspeeders incluídos, pois claro) ou a perseguição a alta velocidade em Speeder Bikes, por entre as densas florestas da lua de Endor. Isto com um nível de detalhe e realismo nunca dantes visto. Vejam só o entusiasmo deste senhor:

 

 

O jogo é exclusivamente online: os jogadores combatem em equipa - pelos Rebeldes ou pelo Império - contra a fação adversária. Isto levanta logo a dúvida sobre se será um jogo apenas para "hardcore gamers". Neste tipo de jogo os servidores tendem a ser dominados pelos jogadores mais experientes e dedicados, ficando os novatos e curiosos com uma esperança de vida de poucos segundos cada vez que entram em jogo. Mas pelo que experimentei até agora (e notem que eu próprio já não tenho nem a disponibilidade de tempo nem os reflexos para "dar luta" nesses casos), parece haver um bom equilíbrio.

 

Se o jogo é realmente bom ou não, é algo que falta saber. Isto porque todas as críticas ao jogo estão ainda sob embargo. E aqui é que a coisa se torna estranha.

 

As críticas de videojogos não são muito diferentes das do cinema na sua génese: A editora ou distribuidora dá acesso à obra aos críticos e jornalistas antes da data de lançamento para que estes possam fazer a sua avaliação e publicá-la antes ou na mesma altura em que chegará ao público.

 

No caso de Star Wars Battlefront a Electronic Arts organizou um evento, apelidado de "review event", onde juntou os jornalistas para que todos pudessem jogar o jogo e produzir as suas críticas. Estes "review events" não são a regra, mas no caso de jogos exclusivamente online são bastante comuns e fazem sentido, pois seria difícil cada jornalista testar separadamente o jogo sem outras pessoas com quem jogar.

 

Para terem acesso ao evento os jornalistas tiveram de concordar com um embargo: não poderiam publicar a sua opinião antes da data de lançamento do jogo. Isto por si só não é propriamente descabido. É normal as editoras pedirem que as críticas só sejam publicadas perto da data de lançamento do jogo e que, por exemplo, sejam omitidos alguns detalhes da narrativa para evitar spoilers e estragar as surpresas ou momentos de descoberta que tornam o jogo (ou filme) memorável.

 

Isto perde todo o sentido é quando qualquer utilizador pode descarregar e jogar o jogo completo de forma legal e promovida pela Electronic Arts (porque está disponível no tal programa Early Access de que falei), mas os jornalistas profissionais não podem dar a sua opinião. Ficam isentos do embargo os jornalistas que não participaram no tal evento. Esses podem jogar agora e publicar a sua crítica assim que quiserem, pois não tiveram de se comprometer com nenhum embargo.

 

Mas esqueçamos estas perturbações na Força e vamos é ver mais um vídeo, comentado pelo Rui Parreira da BGamer:

 

 

 

publicado às 18:10

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