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Vida Extra

Aventuras e desventuras no universo dos videojogos.

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Aventuras e desventuras no universo dos videojogos.

E.T.: "pior videojogo de sempre" faz 35 anos

Videojogos baseados em filmes costumam ser maus. E essa tendência começou logo cedo, com um dos primeiros casos a ser considerado "o pior jogo de sempre".

 

A adaptação de E.T., o Extra-Terrestre a videojogo correu tão mal que, além de pior jogo de sempre, foi também considerado o causador do colapso da indústria de videojogos americana e fez brotar teorias da conspiração sobre o enterro secreto das cópias não vendidas do jogo num aterro no meio do deserto.

 

Imagem de E.T. The Video Game

 

A realidade dos factos não é bem essa. As histórias foram exageradas. Mas o percurso do videojogo E.T. é sem dúvida uma tragédia épica. Uma "tempestade perfeita" que catapultou este título para um lugar de relevo na história dos videojogos.

 

Como é que isso aconteceu?

 

A história pode ser contade de forma curta e fácil de perceber. Em junho de 1982 estreava o filme E.T., de Steven Spielberg. Rapidamente se tornou o filme de maior sucesso do ano. Viria mesmo a tornar-se o filme mais rentável de sempre, recorde que manteve durante 11 anos.

 

Com a "febre" de E.T. ao rubro, a Atari viu a oportunidade para lucrar em grande. A popularidade da Atari estava no seu expoente máximo e até já tinham uma relação próxima com Steven Spielberg, pois estavam a criar um jogo baseado no primeiro filme de Indiana Jones.

 

Em menos de um mês os direitos para produção de um jogo baseado no filme tinham sido adquiridos. O valor pago foi acima de 20 milhões de dólares, mas a expetativa de receitas era muito maior. Bastava ter o jogo nas lojas a tempo do Natal.

 

E aí estava o problema.

 

Os jogos da Atari eram vendidos em cartucho. Isso implicava umas largas semanas só para a fábrica os produzir e mais umas quantas para a distribuição. Na prática só sobravam 5 semanas para a "pequena" tarefa de criar, programar e testar o jogo. Para terem um termo de comparação, os jogos Atari da altura demoravam em média oito meses a ser desenvolvidos.

 

Para conseguir ter o jogo pronto em apenas 5 semanas a Atari entregou a tarefa a um dos seus melhores programadores: Howard Scott Warshaw.

 

Warshaw era um autêntico Cristiano Ronaldo dos criadores de videojogos. Foi ele que criou Yar's Revenge, nada menos que o jogo mais vendido de sempre para a Atari 2600 (sem contar com jogos licenciados). Numa entrevista à BBC Warshaw relata que recebeu um telefonema do Diretor da Atari a perguntar-lhe se consegue criar o jogo do E.T. E de seguida diz-lhe "Desenha o jogo e amanhã de manhã vai ao aeroporto, que está lá um jato para te levar ao Spielberg."

 

Capa de E.T. The Videogame

 

Sucesso!

 

A verdade é que Warshaw conseguiu terminar o jogo a tempo. Só por si um feito digno de nota. Com a parte difícil completada a Atari entrou com toda a força na preparação das vendas. Mandou produzir 4 milhões de cartuchos do jogo e investiu 5 milhões de dólares em publicidade.

 

Quando o jogo chega às lojas as vendas são... Um sucesso!

 

Em dezembro de 1982 e janeiro de 1983, E.T. está nos tops de vendas de jogos. Torna-se um dos jogos Atari mais vendidos de sempre, com cerca de 1,5 milhões de cópias a sair das lojas.

 

O problema é que ainda estavam por vender os outros 2,5 milhões de cartuchos. E com as críticas negativas dos jornalistas e os próprios jogadores a queixarem-se que o jogo não era muito interessante, qualquer esperança de vender os cartuchos restantes estava morta à nascença.

 

Pior ainda, as lojas começaram a receber devoluções do jogo por parte dos clientes.

 

É nesta fase que as coisas começam a desmoronar para a Atari. E o E.T. foi dado como culpado pelo colapso da indústria de videojogos americana. Mas isso não é inteiramente verdade.

 

E.T. é mesmo "o pior videojogo de sempre"?

 

Já vi coisas muito piores. Pessoalmente acho que era apenas pouco interessante. E sobretudo muito pouco "polido", dados os prazos de desenvolvimento quase impossíveis que teve de cumprir. Mas foi sem dúvida um dos videojogos mais desapontantes de sempre, por causa da enorme expetativa à sua volta.

 

Mas não têm de se fiar na minha opinião. Podem jogar o jogo gratuitamente neste site.

 

Foi mesmo o E.T. que levou a Atari e restantes editoras à falência?

 

E.T. não foi a causa, foi apenas mais um sintoma. Houve toda uma conjuntura de fatores que causaram a queda da Atari, sobre a qual já falei.

 

Leiam este post se quiserem saber mais.

 

O jogo foi mesmo enterrado em segredo?

 

Sim e não. Com o colapso da indústria dos videojogos americana, a Atari viu-se com um enorme inventário de jogos e consolas que nunca seria capaz de vender. A solução foi "deitar tudo fora". Todas essas sobras foram despejadas e enterradas num aterro sanitário no Novo México.

 

A operação não foi propriamente secreta - a notícia saiu em alguns jornais locais - mas não é coisa que se apregoe. Para além disso o local de despejo também tinha sido usado para enterrar material radioativo, pelo que existiam medidas de segurança adicionais à sua volta que contribuiam para a aura de mistério.

 

Toda essa história foi contada no excelente documentário "Atari: Game Over", que podem ver gratuitamente aqui.

 

 

Lições para o futuro...

 

Desta história toda ficaram as lições para o futuro: A ganância e a pressa resultam em maus produtos e má imagem para quem os produz. E um videojogo baseado num filme adorado não é garantia de vendas.

 

E se há uma coisa que a História nos ensinou é que as pessoas raramente aprendem com as lições da História. Basta vermos como correu o lançamento do novo jogo baseado em Star Wars.

publicado às 17:03

Os Óscares dos videojogos estão de volta

Imagem do troféu dos The Game Awards

 

Esta semana são entregues os The Game Awards. Uma espécie de "Óscares dos videojogos", sobre a qual já escrevi no ano passado.

 

Não faz sentido estar a repetir uma descrição do que é esta cerimónia e de como se destaca das restantes. Se não a conhecem basta lerem o meu texto anterior.

 

Mas então porquê voltar a falar no tema?

 

A edição deste ano conta com algumas alterações de fundo. E são alterações que espelham bem a forma como a indústria dos videojogos tem evoluído recentemente. Não são apenas alterações desejadas, são alterações necessárias. Uma adaptação à realidade atual dos videojogos, que é cada vez mais diferente do simples lançar de novos títulos para as lojas.

 

E que alterações são essas?

 

O próprio criador do evento diz em entrevista à Rolling Stone que tem tentado criar uma cerimónia de Óscares para os videojogos. Mas, por outro lado, os videojogos têm as suas particularidades e o formato de eleger uma lista de melhores títulos de um determinado ano não funciona bem com os videojogos.

 

O melhor exemplo que se pode dar: Nos videojogos o jogador é uma parte integrante e ativa da experiência. O jogador não se limita a ver e ouvir. É o jogador que faz o jogo "andar". É o jogador que dá sentido ao jogo. E por esse motivo os The Game Awards incluem um prémio para um jogador influente ou que se tenha destacado de alguma forma.

 

Mas há outras particularidades. E outro bom exemplo a dar.

 

Um dos jogos mais jogados e mais aclamados deste ano é o Playerunknown's Battlegrounds (geralmente abreviado para PUBG). Será certamente candidato a um prémio. Só que... PUBG ainda não foi oficialmente "lançado".

 

Como é isto possível?

 

Simples. PUBG tem estado a ser desenvolvido num modelo "Early Access" (acesso antecipado). O jogo ainda está em desenvolvimento mas os interessados podem pagar para ter acesso antecipado e irem jogando o jogo à medida que vai sendo desenvolvido.

 

O lançamento oficial de PUBG está previsto para a próxima semana (já depois da cerimónia dos The Game Awards), mas no limite podem existir jogos que nunca chegam a ter um lançamento oficial. E por isso as regras têm de ser adaptadas para poderem incluir jogos que estejam nessa situação.

 

E o caso oposto também se aplica.

 

Um jogo pode já ter saído há vários anos e continuar a receber novos conteúdos e/ou novas funcionalidades, ou simplesmente continuar a ser muito relevante para a indústria e para os jogadores. Há muitos exemplos de jogos que continuam a ser atualizados e que continuam a ser jogados por muitos e vendidos em quantidade.

 

Talvez não tenham noção mas o GTA V, que foi lançado originalmente em 2013, foi uma presença constante no top 10 de vendas um pouco por todo o mundo em 2017. Quatro anos depois do seu lançamento.

 

E, portanto, os The Game Awards deste ano vão incluir um prémio para "melhor jogo ainda em desenvolvimento" e outro para "melhor jogo em desenvolvimento contínuo".

 

Uma outra novidade que merece destaque é uma série de prémios para projetos de estudantes.

 

Há muitos bons jogos a serem desenvolvidos em escolas e universidades. Puxando a brasa à nossa sardinha, ainda recentemente o jogo Obscuria, desenvolvido por alunos da Escola Superior de Tecnologia e Gestão de Leiria, ganhou o Nordic Game Discover Contest.

 

E tudo isto é um reflexo das muitas realidades da indústria dos videojogos e das suas particularidades. Sobretudo, é bom ver que os The Game Awards estão a mudar de acordo com a evolução e riqueza da indústria que querem representar, em vez de ficarem colados aos paradigmas de outras cerimónias.

 

A cerimónia dos The Game Awards decorre na noite de quinta para sexta-feira, à 1:30h da manhã. Podem assistir ao evento online em múltiplas plataformas.

publicado às 17:12

Melhores trailers de jogos de 2017: Novembro

Imagem da personagem Reinhardt de Overwatch

 

Um trailer pode ser uma pequena obra de arte. E é por isso que, ao longo do ano, vou colecionar alguns dos melhores trailers que vão sendo lançados todos os meses pelas editoras de videojogos e partilhá-los convosco. Eis os meus preferidos de novembro.

 

Neste mês é impossível passar ao lado dos trailers mostrados pela Blizzard na sua convenção anual. Mas há mais algumas boas propostas. Ora vejam:

 

 

10- Xenoblade Chronicles 2 - trailer da história

 

É um trailer carregado de kitsch, como só os japoneses sabem fazer. Mas não deixa de ser uma bela amostra de um belo jogo, que merece um lugar no top deste mês.

 

 

 

9- Okami HD - trailer

 

Foi lançado há mais de 10 anos para a PlayStation2. Foi relançado em edição HD para a PlayStation 3. E agora vai ser re-relançado para a PS4. O grafismo pode parecer por vezes um pouco datado, mas Okami continua ter um visual deslumbrante.

 

 

 

8- Little Nightmares - trailer do DLC "The Hideaway"

 

Little Nightmares recebe novos conteúdos e o novo trailer continua a deliciar-nos com o seu visual a lembrar o melhor de Tim Burton.

 

 

 

7- Project TL - trailer de revelação

 

É um novo MMO da sul-coreana NCSoft. O trailer mostra sobretudo imagens de jogo, mas o que salta à vista é a extrema qualidade de todos os pormenores. O grafismo é luxuoso, os movimentos de câmara são perfeitos, as personagens movem-se graciosamente e as suas interações com os cenários e outras personagens são perfeitas. Um mimo!

 

 

 

6- Planet of the Apes: Last Frontier - trailer de lançamento

 

A nova saga "Planeta dos Macacos" tem sido um sucesso no cinema e com uma qualidade acima do esperado. A julgar pelos trailers, esta adaptação a videojogo tem tudo para repetir esse sucesso nas consolas.

 

 

 

5- Final Fantasy XV - trailer da expansão "Comrades"

 

Muito operático. Muito kitsh. Muito barroco. Outra coisa não é de esperar de um trailer da saga Final Fantasy. E este trailer da expansão multijogador "Comrades" não desaponta.

 

 

 

4- Dragons of the Nexus - trailer da BlizzCon 2017

 

Hanzo, o herói de Overwatch, tem um novo desafio pela frente.

 

 

 

3- World of Warcraft: Battle for Azeroth - trailer cinemático

 

Mais um fabuloso trailer revelado pela Blizzard na BlizzCon 2017.

 

 

 

2- Star Wars Battlefront II - trailer "Rivalidade"

 

Este trailer/anúncio do novo jogo baseado em Star Wars deu que falar um pouco por todo o mundo, tanto no meio dos videojogos como nos meios da publicidade. Descubram porquê.

 

 

 

1- Overwatch - curta metragem "Honor and Glory"

 

Uma nova curta-metragem da mais alta qualidade conta a história do herói Reinhardt. É a Blizzard no seu melhor.

 

 

 

E vocês? Houve algum trailer em novembro de que tenham gostado e que não esteja na lista? Partilhem nos comentários.

 

Também podem rever a lista de melhores trailers de outubro.

publicado às 10:31

Pior que uma imitação chinesa: o produto oficial

Ténis Adisda? Mala Louis Vuanton? Há muitos exemplos de produtos de baixo custo desenhados para se parecerem com marcas conhecidas. Sobretudo vindos da China e de outros países onde as leis de copyright e propriedade intelectual são bem permissivas.

 

Por isso, se vos mostrar uma imagem de uma linha de bonecos Transformers com a imagem das personagens do Street Fighter, será perfeitamente natural que esbocem um misto de sorriso e expressão de horror e a identifiquem como mais um exemplo desse fenómeno. Ora vejam:

 

Imagem dos Transformers Ken e Chun-Li

 

É horrível. É hilariante. É hilariante por ser tão horrível. Tal como tantos outros produtos de imitação que certamente já viram.

 

Só que há um pormenor importante: Isto são produtos oficiais da Capcom, a editora responsável pelo franchise Street Fighter.

 

É um daqueles casos em que a realidade ultrapassa a ficção. A produtora japonesa Takara Tomy lançou esta nova gama de bonecos oficiais Street Fighter. Estão disponíveis apenas no Japão e não se sabe se serão distribuídos também no ocidente. Esperemos que não.

 

 

Mas... por outro lado... estes bonecos são tão surreais que até fiquei com vontade de comprar uma coleção inteira.

publicado às 14:19

A fascinante tragédia que é o novo jogo Star Wars

Imagem de Star Wars Battlefront II

 

Chegou hoje às lojas Star Wars Battlefront II.

 

O mais recente jogo baseado na criação de George Lucas foca-se nos confrontos multijogador online, tal como o seu antecessor direto, mas inclui uma campanha para ser jogada a solo e que conta a história do que aconteceu entre o final do Episódio VI e o início da mais recente trilogia de filmes. No geral parece ser um bom jogo.

 

Mas durante as últimas semanas Star Wars Battlefront II tem sido uma história épica de má publicidade. Uma "divina tragédia", que foi evoluindo de reclamações dos fãs até ao recorde de comentário com mais votos negativos de sempre no Reddit, passando por investigações de organismos oficiais de vários países sobre a sua legalidade.

 

A causa? O sistema de progressão no jogo, baseado na sorte e com opção de gastar dinheiro adicional.

 

É que, tal como em muitos outros videojogos, à medida que joga Battlefront II cada jogador pode desbloquear novas habilidades, novas personagens e melhor equipamento. O problema surge quando essas novas habilidades e melhor equipamento podem ser "compradas", ou pelo menos obtidas mais rapidamente, se o jogador pagar dinheiro adicional por elas.

 

Quem gastar mais dinheiro tem vantagem sobre os outros jogadores. Ou, pior ainda, quem não pagar dificilmente conseguirá competir com quem pagou. E foi essa a sensação com que ficaram os fãs que participaram nas fases de testes ao jogo das últimas semanas.

 

Em resposta, os criadores do jogo lembraram que todos os bónus podem ser desbloqueados simplesmente jogando. Pagar serviria apenas para acelerar o processo.

 

Só que alguns jogadores fizeram uma estimativa do tempo que demoraria a desbloquear todos os bónus sem recorrer a pagamentos e calcularam que fossem mais de 4.500 horas. Se compararmos jogar Battlefront II com um emprego a tempo inteiro, de 35 horas semanais, isto equivale a mais de dois anos e meio.

 

Vendo desta perspetiva, pagar parece mais uma necessidade do que um atalho. Aliás, parece mesmo que o jogo procura "empurrar" os jogadores no sentido de gastarem mais dinheiro.

 

E há muitos jogos gratuitos que conseguem grandes receitas vendendo conteúdos adicionais sem que isso seja um problema. É o modelo de negócio mais habitual nos jogos para telemóveis: quase sempre gratuitos mas altamente lucrativos. A grande diferença é que esses jogos são, tal como escrevi na frase anterior, gratuitos. Star Wars Battlefront II custa 69,99€ para as consolas.

 

E temos portanto um jogo de 70€ em que:

- os jogadores são quase obrigados a gastar dinheiro adicional para se manterem competitivos;

- os jogadores que gastarem mais dinheiro têm vantagem competitiva sobre os outros.

 

Mas não é tudo.

 

É que, para além disto, gastar dinheiro não garante que o jogador receba os bónus que quer ou que necessita. Em Battlefront II não se compram itens virtuais: compram-se "caixotes". Dentro de cada caixote virtual vem um conjunto de bónus decidido aleatoriamente. É mais ou menos como comprar um Kinder Surpresa...

 

Foi esta característica que levou as entidades americanas e belgas responsáveis a investigar as mecânicas do jogo. Surgiram dúvidas sobre se estas práticas podiam ser consideradas jogos de azar, com todas as implicações legais e penais que poderiam acarretar.

 

As decisões foram sempre no sentido de que não, comprar caixas com itens aleatórios não é um jogo de azar. Tal como comprar um Kinder Surpresa não o é. Mas lá que está muito próximo e que há toda uma economia e conjunto de mecânicas dentro do jogo a "puxar" pela carteira dos jogadores, isso é indiscutível.

 

As últimas semanas foram um crescente escalar de contestação ao jogo. As respostas da Electronic Arts às preocupações dos jogadores foram constantes mas insuficientes.

 

Uma primeira resposta, a garantir que o tempo elevado que demora a desbloquear novos heróis no jogo serve para tornar esse feito mais satisfatório para os jogadores, tornou-se no comentário com mais votos negativos de sempre no Reddit. Logo de seguida a editora reduziu em 75% o custo para desbloquear esses heróis.

 

Tentativas posteriores de explicar as mecânicas e a economia virtual do jogo e de assegurar que estes sistemas estariam em constante monitorização para garantir a melhor experiência possível não conseguiram mais do que deixar uma sensação de desconfiança nos fãs, muito por causa da ausência de informações concretas.

 

A novela chegou a uma conclusão dramática ontem: A poucas horas do lançamento do jogo a Electronic Arts suspendeu todos os sistemas de compras virtuais do jogo, assumindo que tinha falhado na forma como os implementou.

 

Uma solução drástica mas tardia. Nas vésperas da sua chegada às lojas, a quase totalidade da cobertura jornalística àquilo que parece ser um bom jogo de um franchise bem-amado foi de negatividade e desconfiança.

 

O lançamento de Star Wars Battlefront II devia ser um começo. Mas parece mais um epílogo, onde iremos descobrir o real custo que este modelo de negócio forçado terá nas vendas do jogo.

 

Não há nada de errado com os modelos de micro-transações dentro dos jogos. Muitos títulos conseguem fazer fortunas e serem em simultâneo adorados pelos jogadores. Mas quando a ânsia de rentabilizar um produto se sobrepõe a tudo o resto, o resultado dificilmente poderá ser positivo.

 

Estes modelos de negócio não são inerentemente maus. Mas estão a tornar-se cada vez mais comuns. E sobretudo estão a tornar-se comuns em jogos de preço elevado, quando originalmente serviam como alternativa a exigir dos jogadores um pagamento "à cabeça" e permitiram o aparecimento de muitos jogos gratuitos e de qualidade.

 

Estamos a passar do "free to play" (joga sem pagar) para o "pay to win" (paga para ganhar). E, neste caso, a pedir aos jogadores para pagarem duas vezes: paga para jogar e paga outra vez para ganhares.

 

A minha esperança é que toda esta negatividade sirva para chamar a atenção de Electronic Arts e todas as outras editoras sobre a necessidade de equilíbrio e bom senso. Porque esta estratégia de negócio dificilmente vai compensar. E todos - editoras, estúdios de desenvolvimento e jogadores - acabarão por sair prejudicados.

publicado às 15:58

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