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Vida Extra

Aventuras e desventuras no universo dos videojogos.

Vida Extra

Aventuras e desventuras no universo dos videojogos.

Vin Diesel também faz videojogos

Vin Diesel fez esta semana 50 anos. O ator ficou famoso com as suas interpretações no cinema de personagens como Dominic Toretto, na saga Fast and Furious, e Riddick, em Pitch Black e suas sequelas.

 

Onde há filmes de ação de sucesso há uma boa probabilidade de existirem adaptações a videojogo. Por isso, se eu vos dissesse que Vin Diesel também aparece em videojogos dificilmente ficariam surpreendidos, certo?

 

Só que Vin Diesel não se limitou a participar como personagem em algumas adaptações. Vin Diesel fundou a sua própria empresa de produção de videojogos - a Tigon Studios. E essa empresa não se limitou a criar adaptações: criou dois grandes jogos baseados no universo de Riddick, mas com histórias diferentes das dos filmes.

 

Capa de Escape From Butcher Bay

 

The Chronicles of Riddick: Escape from Butcher Bay foi lançado em 2004, com ótimas críticas da imprensa especializada, incluindo do SAPO. Para além da voz de Vin Diesel, o jogo contava com outros atores de renome como Cole Houser (do filme Pitch Black), Ron Perlman e o português Joaquim de Almeida.

 

 

Em 2009 Riddick voltaria aos videojogos em The Chronicles of Riddick: Assault on Dark Athena. A crítica foi novamente favorável e ao elenco de luxo juntou-se Lance Henriksen.

 

 

Também em 2009 foi lançado Wheelman, jogo de ação ao volante, sem relação com nenhum filme, em que Vin Diesel tem o papel principal. Infelizmente não conseguiu o mesmo sucesso que os jogos da personagem Riddick.

 

 

A Tigon ainda lançou Riddick: The Merc Files para iOS em 2013, mas sem a participação direta de Diesel no jogo. E outros projetos que a empresa chegou a anunciar nunca viram a luz do dia.

 

A Tigon parece ter fechado portas: o site reencaminha para a página oficial do ator e no Facebook os únicos posts desde 2015 são referentes e filmes de Vin Diesel. O ator não parece estar atualmente relacionado com nenhum projeto na área dos videojogos.

 

Mas o curto palmarés da Tigon Studios nos videojogos valeu a pena e merece ser recordado. E pode ser que volte ao ativo.

publicado às 10:47

Quando os jogos copiavam os filmes: 30 anos de Metal Gear

Há 30 anos fazia-se história nos videojogos quase sem se dar conta. No Japão era lançado um jogo despretensioso para um computador relativamente desconhecido. Mas foi o começo de algo gigantesco.

 

O computador era o MSX2, desenvolvido com a ajuda da Microsoft. Mas não é isso que interessa.

 

O nome do jogo, o seu género e o seu criador, esses sim fizeram história. A 13 de julho de 1987 era lançado Metal Gear.

 

Capa de Metal Gear

 

Metal Gear foi o primeiro jogo concebido por Hideo Kojima e é também considerado o primeiro jogo do género "ação furtiva". A saga Metal Gear viria a tornar-se uma das mais ricas e bem sucedidas da indústria dos videojogos e Hideo Kojima um dos mais respeitados e imaginativos criadores de jogos. Mas tudo começou quase por engano.

 

Hideo Kojima não era um profissional de sucesso nem particularmente bem visto pelos seus patrões na Konami. Metal Gear era um jogo de tiros que estava a ser desenvolvido por outra equipa, mas pediram a Kojima para continuar o projeto. E o MSX2 não parecia ter a capacidade de processamento necessária para um jogo de ação rápida.

 

Parecia a receita perfeita para um desastre.

 

Mas Kojima teve a ideia inspirada de mudar o estilo de jogo: Em vez de ir ao encontro dos combates e da ação o objetivo seria evitar os inimigos, derrotando o adversário usando o cérebro ao invés da força. Um estilo de jogo mais lento e por isso mais à medida das capacidades do hardware do computador a que se destinava.

 

Metal Gear acabaria por gerar inúmeras sequelas, sendo várias delas dos melhores videojogos alguma vez feitos. A mais recente - Metal Gear Solid V: The Phantom Pain - contou com Kiefer Sutherland como ator principal e a saga já há muito contava com a música do galardoado Harry Gregson-Williams.

 

E por falar em atores...

 

Nesses bons velhos tempos dos videojogos, mesmo as editoras mais famosas faziam coisas que hoje parecem impensáveis. Ainda recentemente escrevi sobre as traduções de jogos japoneses para Inglês.

 

Mas as capas e imagens que ilustravam os jogos também eram produzidas por via de "atalhos". A capa de Metal Gear não era exceção. Ora vejam:

 

Michael Biehn em Terminator

 

A imagem acima é uma fotografia promocional (fonte) do filme Exterminador Implacável, que catapultou James CameronArnold Schwarzenegger para o estrelato.

 

A foto não é apenas semelhante à capa do jogo. Quase todos os pormenores da foto de Michael Biehn foram reproduzidos pelos artistas da Konami.

 

Capa de Metal Gear e Michael Biehn em Terminator

 

Isto não foi um caso isolado. Há inúmeras situações semelhantes em jogos dessa altura, das mais variadas produtoras e editoras.

 

A inspiração de Metal Gear pelo cinema não se ficou por aí. Kojima era um fã da 7ª arte e o herói da sequela Metal Gear Solid - Solid Snake - foi assumidamente inspirado pela personagem Snake Plissken, do filme Nova Iorque 1997, interpretada por Kurt Russell.

 

Solid Snake e Snake Plissken

 

Mas pelo menos nessa altura já era uma "inspiração" e não um plágio evidente. Em Metal Gear Solid 2, Snake chega a usar como pseudónimo o nome "Iroquois Plissken", assumindo a ligação dentro do próprio jogo.

 

O futuro da saga Metal Gear é incerto. Apesar da Konami ter anunciado um novo jogo, Hideo Kojima foi "corrido" da empresa e não estará mais envolvido no desenvolvimento dos jogos. E o novo jogo que foi anunciado não parece ter nada a ver com o universo Metal Gear a que estamos (tão bem) habituados.

 

Pelo menos Hideo Kojima continua a deslumbrar-nos com o seu novo projeto... E os atores de Hollywood já não são inspiração mas sim parte integrante dos projetos, com Mads MikkelsenNorman ReedusGuillermo del Toro a marcarem presença.

 

E para saberem mais sobre a saga Metal Gear consultem este Especial feito pelo GameOver há 5 anos atrás ou espreitem esta lista de vídeos com os espetaculares trailers da saga.

publicado às 08:19

O regresso das más traduções

Capa do livro This Be Book of Bad Translation, Video Games!

 

Há muito tempo atrás, mais precisamente a seguir à crise de 1983, os videojogos eram praticamente um sinónimo de Japão. Era de lá que vinham as consolas e os jogos mais emblemáticos. E com uma cultura e uma língua tão diferentes vinham também os erros de tradução.

 

É verdade que erros de tradução sempre existiram e sempre existirão. Basta ver televisão durante um bocado para dar com pequenas "pérolas" nas legendas de todo o tipo de programas e filmes.

 

Um exemplo (recente) que me ficou gravado na memória foi o Han Solo a explicar ao Jabba porque é que tinha deitado fora todo o carregamento de contrabando que transportava: "Até eu me aborreço às vezes." Se a explicação de Han Solo não vos convence, isso é porque o que ele disse na verdade foi "Even I get boarded sometimes." Ou seja, "Até eu sou abordado [pelas autoridades] às vezes."

 

Mas isso não é nada comparado com o que se fazia em alguns videojogos na altura. Havia traduções para Inglês claramente feitas por pessoas que não tinham o mínimo de domínio sobre o idioma. Algumas chegaram ao estatuto de lenda, tais como "All your base are belong to us" ou "A winner is you".

 

Era quase uma nova língua, percebida apenas por um reduzido grupo de pessoas. Algo que existia num plano alternativo, entre o calão e o Klingon.

 

E porquê falar sobre isto agora?

 

Porque acaba de ser lançado um livro dedicado ao tema. Com o apropriado título "This be book bad translation, video games!" (algo como "Este ser livro má tradução, videojogos!"), esta obra da autoria de Clyde Mandelin e Tony Kuchar não só mostra dezenas de exemplos como explora mais em detalhe tudo o que se esconde por trás deste fenómeno.

 

 

E, quem sabe, talvez daqui por umas décadas estejamos a falar sobre as fantásticas traduções automáticas de alguns jogos de telemóvel atuais. E nem estou a falar das descrições nas lojas de apps. Há frases como esta em muitos jogos atuais:

 

Tradução num jogo mobile

 

E vocês? Lembram-se de alguma frase mal traduzida de que gostem particularmente? Partilhem nos comentários.

publicado às 18:08

Melhores trailers de jogos de 2017: Junho

Imagem de Beyond Good and Evil 2

 

Um trailer pode ser uma pequena obra de arte. E é por isso que, ao longo do ano, vou colecionar alguns dos melhores trailers que vão sendo lançados todos os meses pelas editoras de videojogos e partilhá-los convosco. Eis os meus preferidos de junho.

 

Este mês foi dominado pela E3, a maior feira de videojogos do mundo. A quantidade de novos e bons trailers tornou a escolha mais difícil mas o resultado final é muito mais rico. Ora vejam:

 

 

10- Assassin's Creed: Origins

 

Este é talvez um dos trailers mais convencionais da lista deste mês, mas a riqueza visual desta nova sequela aliada ao encanto misterioso do antigo Egito fazem-no merecer a sua presença nas escolhas de junho.

 

 

 

9- Star Wars: Battlefront 2

 

Um trailer de Star Wars (seja jogo ou filme) vale sempre a pena e este novo trailer focado na componente multijogador não é exceção.

 

 

 

8- Skull and Bones

 

Foi uma das surpresas da feira de Los Angeles. Um jogo de piratas com foco nas batalhas entre navios.

 

 

 

7- The Crew 2

 

O jogo original não foi um sucesso mas a sequela não desanima e quer melhorar de forma exponencial. O trailer vale sobretudo pelas transições de cenários muito inspiradas no filme Inception.

 

 

 

6- Mario+Rabbids: Kingdom Battle

 

A maior surpresa da E3 foi mesmo este novo jogo do Super Mario, que não é desenvolvido pela Nintendo. Todo o conceito fazia adivinhar um falhanço, mas o resultado final é absolutamente brilhante.

 

 

 

5- Vampyr

 

Não foi propriamente um dos jogos mais falados da feira de Los Angeles, mas ainda assim é um dos mais prometedores. O trailer baseado exclusivamente numa sequência única e só com música é imperdível.

 

 

 

4- A Way Out

 

Outra novidade que promete muito é este A Way Out, um jogo para dois jogadores inspirado nos mais clássicos filmes sobre fugas de prisões.

 

 

 

3- Metro: Exodus

 

O mundo pós-apocalíptico de Metro vai regressar e o que foi mostrado deixou todos de boca aberta. Mais um trailer imperdível.

 

 

 

2- Spiderman

 

O novo jogo do Homem-Aranha foi provavelmente o que de melhor se viu na E3 deste ano. Tecnicamente isto não é um trailer mas sim uma sequência inteira do jogo. E está tão bom como trailer pré-produzido que possam imaginar.

 

 

 

1- Beyond Good and Evil 2

 

A única coisa melhor que a demonstração de Spiderman foi mesmo este luxuoso trailer do novo Beyond Good and Evil. É uma curta-metragem excelente a todos os níveis e é ainda mais entusiasmante para os fãs do original, que esperam há 14 anos pelo anúncio desta sequela.

 

 

 

E vocês? Houve algum trailer em junho de que tenham gostado e que não esteja na lista? Partilhem nos comentários.

 

Também podem rever a lista de melhores trailers de maio.

publicado às 10:21

Os 45 anos atribulados da Atari

Fundada em 27 de junho 1972 por Nolan Bushnell e Ted Dabney, a Atari já foi a maior marca de videojogos do mundo. Já foi dada como morta. Mas 45 anos depois ainda está em atividade, ainda é uma referência cultural e ainda quer lançar novas consolas.

 

Logotipo da Atari

 

Antes da Nintendo, Sega e PlayStation, Atari era "o" sinónimo de videojogos. A sua relevância cultural e económica era tal, que é uma das marcas visíveis nos inúmeros reclames luminosos do filme futurista Blade Runner, ao lado, por exemplo, da Coca-Cola.

 

Imagem de Blade Runner

 

Uma das razões para este sucesso inicial foi a sua capacidade de inovação. Ainda antes de se chamar Atari, os seus fundadores já tinham sido responsáveis por criar a primeira máquina de videojogos comercial (até então os poucos videojogos existentes corriam em computadores de empresas ou universidades). Computer Space era uma máquina de arcadas onde os jogadores colocavam uma moeda para jogar. Não foi um sucesso, mas a primeira máquina de arcadas com o nome da Atari foi.

 

 

Pong, o primeiro sucesso

 

Diz a lenda que quando a Atari criou a sua primeira máquina de Pong, convenceram um bar local a colocar lá a máquina em troca de uma parte das receitas que pudesse gerar. Era uma forma de testar a aceitação do novo jogo. O dono do bar não estava muito convencido, mas lá acedeu.

 

Passados apenas alguns dias o dono do bar telefona para a Atari a pedir que viessem recolher a máquina. Estava avariada. Ao inspecionar a máquina a Atari descobre que a causa do problema era... a caixa de recolha de moedas cheia. Pong era um sucesso e iria catapultar a Atari para o estrelato.

 

Imagem do jogo Pong

 

 

Pong, o primeiro processo em tribunal

 

Pong não foi apenas o primeiro sucesso. Cabe-lhe também a honra dúbia de ser o primeiro videojogo a dar origem a um processo em tribunal.

 

O motivo é simples. O jogo Pong não era uma ideia original. Era uma cópia do jogo da Magnavox Odyssey, a primeira consola de jogos do mundo, e que foi lançada nesse mesmo ano de 1972. O diferendo acabou por ser resolvido amigavelmente, fora dos tribunais.

 

 

Atari VCS, a consola de "nova" geração

 

As primeiras consolas de jogos não eram "computadores". Os jogos não eram programados em código, mas sim fabricados na forma de circuitos eletrónicos. Isto limitava em muito o número e tipo de jogos que uma consola podia correr.

 

Em 1975 começaram a aparecer as primeiras consolas de segunda geração, que já funcionavam à base de um microprocessador e de código informático. A Atari não foi a primeira, mas foi sem dúvida a que teve mais sucesso.

 

Fotografia da Atari 2600

 

Atari VCS (de "Video Computer System") foi lançada em 1976 e, com algumas reformulações pelo meio (e rebatizada Atari 2600), só seria descontinuada em 1992, com 15 anos de mercado e um número de vendas estimado em 30 milhões.

 

 

O primeiro nível secreto

 

Uma curiosidade muitas vezes referida quando se fala na Atari, é que foi num dos seus jogos que foi descoberto o primeiro easter egg.

 

Os easter eggs (ovos de páscoa) são pequenas surpresas ou brincadeiras que estão escondidas em alguns jogos: às vezes os criadores do jogo colocam fotografias suas mais ou menos escondidas nos cenários; às vezes colocam no jogo personagens ou objetos de outros jogos ou de filmes; o popular Diablo tinha um nível secreto onde os únicos inimigos eram... vacas.

 

Os easter eggs são tipicamente pequenos pormenores engraçados, mas a sua origem é menos alegre. E a Atari esteve na sua génese.

 

À medida que o seu sucesso aumentava, a Atari tinha cada vez mais programadores a criar os seus jogos. Só que os nomes dos criadores dos jogos nunca eram revelados. Os jogos não tinham ficha técnica e a empresa insistia que a autoria fosse sempre atribuída à "Atari".

 

Descontente com essa situação, um dos programadores resolveu esconder o seu nome num nível secreto do jogo em que estava a trabalhar. "Created by Warren Robinett" aparecia numa sala do jogo Adventure, acessível apenas se o jogador colocasse o seu avatar em cima de um único pixel numa única área do jogo. A Atari só descobriu já depois do jogo estar lançado e já depois de Warren ter saído da empresa. E o easter egg acabou por se manter.

 

Imagem do nível secreto em Adventure

 

Outros easter eggs mais antigos foram entretanto descobertos, mas este foi o primeiro a ser conhecido.

 

 

Vítima do sucesso e do ego

 

O descontentamento de Warren Robinett não era caso único. Em 1979 quatro outros programadores da Atari reuniram com o presidente da empresa para exigirem maior reconhecimento pelo seu trabalho. Queriam os seus nomes nas caixas dos jogos e uma percentagem das vendas. A coisa não correu bem.

 

Esses quatro programadores resolveram então despedir-se e criar a sua própria produtora. Chamaram-lhe Activision. É uma das maiores editoras de videojogos da atualidade.

 

Capa de Pitfall!

 

Só que esta aparentemente pequena historieta acabaria por deitar abaixo a já bilionária indústria americana de videojogos.

 

Acontece que na altura os videojogos eram produzidos apenas e só pelas empresas que construíam as consolas. Não havia empresas que fizessem só videojogos. E como não existia sequer o conceito, também não existia enquadramento legal. A Activision começou a desenvolver e vender os seus próprios jogos para as consolas da Atari e para outras. E não havia nada que as fabricantes das consolas pudessem fazer.

 

O problema não era tanto a Activision, que desenvolvia jogos de qualidade. O problema eram todas as inúmeras empresas que resolveram fazer o mesmo mas sem terem programadores minimamente experientes.

 

O mercado foi inundado de jogos atrás de jogos. Cada um pior que o outro. As lojas não conseguiam vender os jogos e também não os conseguiam devolver às produtoras - que entretanto tinham gasto o dinheiro a produzir mais maus jogos - para reaver o seu dinheiro. E isso significava que também não podiam (nem queriam) comprar novos jogos ou novas consolas para colocar à venda.

 

A inundação começou a afogar os vários setores da indústria dos videojogos e entre 1983 e 1985 deu-se o grande crash. Em '83 a indústria americana de videojogos valia 3.200 milhões de dólares. Em '85 valia 100 milhões.

 

Essa recessão seria contrariada pela Nintendo, que exigia royalties a qualquer empresa que quisesse criar jogos para a sua NES e que tinha sistemas para evitar que a consola corresse jogos não autorizados. Para além disso, a Nintendo atribuía aos jogos autorizados um "Selo de Qualidade", de forma a garantir ao consumidor que o jogo cumpria os seus exigentes padrões. "Videojogos" passou então a ser um termo associado ao Japão.

 

 

Os primeiros videojogos publicitários

 

Uma pequena curiosidade: Ao abrir-se de forma desregulada a criação de videojogos e com o imenso sucesso da Atari VCS/2600, algumas marcas de produtos de grande consumo resolveram criar e distribuir os seus próprios jogos, para publicitar os seus produtos. Foram os primeiros advergames, de marcas como a Purina, a Johnson&Johnson e a Kool-Aid.

 

 

O período difícil

 

Na sua época dourada a Atari produzia máquinas de jogos de arcada, consolas e computadores. Era responsável por um terço das receitas anuais da gigante Warner Communications, que tinha comprado a Atari em 1976.

 

A Atari ainda lançou mais alguns jogos e consolas até finais dos anos 90, mas nunca recuperou da desvalorização do mercado entre '83 e '85. Chegou a ser considerada "morta". Foi repartida e vendida várias vezes e passou a servir praticamente só como marca para ajudar a vender alguns produtos.

 

Mas a editora francesa Infogrames tomou as rédeas da marca em 2001 e anunciou que iria relançar a Atari. O sucesso foi relativo, mas durante vários anos a Atari voltou a ser uma marca ativa e relevante no mundo dos videojogos. Infelizmente os prejuízos foram-se acumulando até final da década e a marca caiu novamente na obscuridade. Em 2013 abriu falência.

 

Capa de Enter the Matrix

 

 

Morte e renascimento

 

A aparição da Atari no filme Blade Runner parecia nesta altura uma previsão falhada do futuro, mas a verdade é que a Atari não morreu. A empresa recuperou da falência em apenas um ano, graças a uma estratégia focada nos jogos de casino.

 

A marca continua a existir e a recuperar financeiramente. Já este ano anunciou que vai lançar uma nova consola de jogos, a Atari Box. Nada mais se sabe ainda sobre esse projeto, exceto que será "baseado na arquitetura dos PCs".

 

 

A Atari é sem dúvida uma marca que se recusa a morrer. E talvez por isso a sua inclusão no filme Blade Runner não tenha sido uma previsão falhada. E talvez por isso tenha voltado a aparecer no trailer do novo Blade Runner 2049, em toda a sua gigantesca glória.

 

 

É uma marca que "viu coisas que vocês nem iam acreditar" mas que, ao contrário de Roy Batty no final de Blade Runner, ainda não aceitou morrer.

publicado às 09:13

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